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By Ferramentas Blog

quinta-feira, 14 de abril de 2011

AVULSO- ACHILHÉIA CÂNDIDO BITTENCOURT




Geraldo Leite


Diplomada em medicina, pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia, em 1957. Em 1984, concluiu o doutorado em Anatomia Patológica, na mesma instituição.
Tem larga experiência na área de medicina, especialmente em Anatomia Patológica. Atua, com maior ênfase, em doença de Chagas congênita, células T, leucemia, linfoma, dermatite associada ao vírus HTLV-1, esquistossomíase e leishmaníase.
Responsável pelo laboratório de Histopatologia Cutânea, da Clínica Dermatológica do Hospital Universitário da UFBa. Integra o Departamento de Anatomia Patológica e Medicina Legal da referida universidade. Atualmente aposentada, permanece no Departamento, onde exerce atividades de pesquisa e de pós-graduação.
Seu estudo sobre a transmissão congênita da doença de Chagas, realizado na Maternidade Tsylla Balbino, em Salvador, é considerado clássico e referenciado pela literatura mundial.
De excepcional valor são, igualmente, as pesquisas que desenvolveu, referentes à transmissão congênita da esquistossomíase.
Merecem menção seus trabalhos sobre linfomas de Hodking em crianças, células T de adultos, dermatites infecciosas associadas ao vírus HTLV-1, transmissão vertical do HTLV-1, classificação anaátomopatológica da leishmaníase cutânea e transmissão da tripanosomíase americana pela amamentação.


FONTE BIBLIOGRÁFICA:
1- Achiléa  Lisboa  Bittencourt  – Disponível em http://www.google.com.br/
search?hl=pt.BR&q=achilea+cândida+lisboa+bittencourt&btnG+Google
&meta=lr%Dlang_pt. Acesso em 21 de dezembro de 2008.











DRA. ACHILÉIA CÂNDIDO
BITTENCOURT
Disponível em http://emedix.uol.com.br/col/abittencourt.php. Acesso em 14 de abril de 2011





Graduada pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia, residência no Serviço de Anatomia Patológica do Hospital Prof. Edgard Santos e doutorada pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia com a tese " Sobre Doença de Chagas congênita na Bahia."
Professora-Adjunta de Patologia da Faculdade de Medicina da UFBa.
Criou, em 1960, o Serviço de Patologia Obstétrica da Maternidade Tsylla Balbino da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia e em 1972, o Serviço de Patologia Pediátrica do Hospital Martagão Gesteira (Liga baiana contra a mortalidade infantil).
Foi Chefe do Serviço de Anatomia Patológica da Maternidade Tsylla Balbino (Secretaria de Saude da Bahia).
Membro da coordenação do curso de pós-graduação em Patologia da UFBA A partir de março de 1992 Bolsista nível 1 A do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq), professora aposentada com atividades de pesquisa e de orientação de pós-graduandos em patologia cutânea e obstétrica.
Editou o livro Infecções Transplacentárias, 1995, REVINTER, Rio de Janeiro, 196 pg.
É autora de capítulos de livros nacionais e estrangeiros e de artigos científicos publicados em revistas nacionais e estrangeiras


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DOENÇA DE CHAGAS CONGÊNITA


Achiléia Lisboa Bittencourt


 
                       

Descrição
Doença de Chagas Congênita é uma doença infecciosa causada pelo Trypanosoma cruzi, transmitido da mãe para o filho através da placenta e, muito raramente, através da amamentação. Quando há transmissão congênita, pode haver complicações como abortamento, prematuridade, retardo do crescimento intra-uterino, morte intra-uterina e manifestações clínicas da doença ao nascer.
Como a infecção chagásica é transmitida da mãe para o filho?
A transmissão da doença de Chagas da mãe para o filho ocorre durante a vida intra-uterina através da placenta e, muito raramente, pela amamentação. O seu agente causal, o Trypanosoma cruzi, presente no sangue materno, chega até a placenta e, de lá, até ao feto. Já se comprovou transmissão congênita em diferentes meses de gestação, a partir do 3º mês.
Quando a doença de Chagas pode ser transmitida congenitamente?
A doença de Chagas apresenta-se em três formas que se sucedem:
  • forma aguda;
  • forma crônica indeterminada, ou seja, a infecção é assintomática e a maioria das gestantes chagásicas não sabe que está infectada, e
  • forma crônica sintomática, cardíaca e/ou digestiva, que pode ou não ocorrer após a forma indeterminada.
Em todas essas formas pode haver parasitemia (parasitos no sangue) e, portanto, pode haver transmissão congênita. O maior risco de transmissão da doença é na fase aguda porque nela a parasitemia é mais intensa e persistente.
Toda mãe portadora da doença de Chagas transmite sua infecção de modo congênito?
Não. A freqüência com que ocorre transmissão entre mães chagásicas varia de 1% a 3% no Brasil, enquanto que na Bolívia, por exemplo, a taxa de transmissão é mais elevada. É provável que ocorra essa diferença devido à existência de diferentes cepas de T.cruzi em diferentes áreas geográficas. Diferenças regionais também são observadas quanto a predominância de formas clínicas da doença e a resposta terapêutica.
Que problemas a infecção chagásica congênita causa ao feto/recém-nascido?
Ela pode ser causa de abortamento, prematuridade, retardo do crescimento intra-uterino (que resulta em uma criança pequena para a idade gestacional - PIG), morte intra-uterina e doença de Chagas ao nascer.
No entanto, muitas crianças infectadas apresentam poucos sintomas ao nascer ou não demonstram nenhuma manifestação da doença.
Quais as manifestações da doença de Chagas ao nascer?
As manifestações clínicas são semelhantes a de várias outras doenças congênitas, como a toxoplasmose e a citomegalovirose.
Observam-se algumas ou todas estas manifestações: febre, anemia, icterícia, aumento do volume do fígado e baço, tremores, convulsões, petéquias (manchas vermelhas na pele, parecidas com as mordeduras de pulga) e distúrbios respiratórios.
O aumento do fígado e baço é aspecto sempre observado nos recém-nascidos sintomáticos.
O recém-nascido infectado pode apresentar também edema de pele ou edema associado a derrames nas cavidades pleurais e abdominal (hidropisia), aspecto que pode também ser diagnosticado durante a vida intra-uterina, através de estudo ultrassonográfico.
Pouco freqüentemente, a infecção chagásica pode causar microcefalia, retardo mental, retardo psicomotor e alterações oculares.
Também podem ocorrer distúrbios digestivos, tais como regurgitação de alimentos, vômitos e dificuldade de deglutição



Descrição
Doença de Chagas Congênita é uma doença infecciosa causada pelo Trypanosoma cruzi, transmitido da mãe para o filho através da placenta e, muito raramente, através da amamentação. Quando há transmissão congênita, pode haver complicações como abortamento, prematuridade, retardo do crescimento intra-uterino, morte intra-uterina e manifestações clínicas da doença ao nascer.
Como a infecção chagásica é transmitida da mãe para o filho?
A transmissão da doença de Chagas da mãe para o filho ocorre durante a vida intra-uterina através da placenta e, muito raramente, pela amamentação. O seu agente causal, o Trypanosoma cruzi, presente no sangue materno, chega até a placenta e, de lá, até ao feto. Já se comprovou transmissão congênita em diferentes meses de gestação, a partir do 3º mês.
Quando a doença de Chagas pode ser transmitida congenitamente?
A doença de Chagas apresenta-se em três formas que se sucedem:
  • forma aguda;
  • forma crônica indeterminada, ou seja, a infecção é assintomática e a maioria das gestantes chagásicas não sabe que está infectada, e
  • forma crônica sintomática, cardíaca e/ou digestiva, que pode ou não ocorrer após a forma indeterminada.
Em todas essas formas pode haver parasitemia (parasitos no sangue) e, portanto, pode haver transmissão congênita. O maior risco de transmissão da doença é na fase aguda porque nela a parasitemia é mais intensa e persistente.
Toda mãe portadora da doença de Chagas transmite sua infecção de modo congênito?
Não. A freqüência com que ocorre transmissão entre mães chagásicas varia de 1% a 3% no Brasil, enquanto que na Bolívia, por exemplo, a taxa de transmissão é mais elevada. É provável que ocorra essa diferença devido à existência de diferentes cepas de T.cruzi em diferentes áreas geográficas. Diferenças regionais também são observadas quanto a predominância de formas clínicas da doença e a resposta terapêutica.
Que problemas a infecção chagásica congênita causa ao feto/recém-nascido?
Ela pode ser causa de abortamento, prematuridade, retardo do crescimento intra-uterino (que resulta em uma criança pequena para a idade gestacional - PIG), morte intra-uterina e doença de Chagas ao nascer.
No entanto, muitas crianças infectadas apresentam poucos sintomas ao nascer ou não demonstram nenhuma manifestação da doença.
Quais as manifestações da doença de Chagas ao nascer?
As manifestações clínicas são semelhantes a de várias outras doenças congênitas, como a toxoplasmose e a citomegalovirose.
Observam-se algumas ou todas estas manifestações: febre, anemia, icterícia, aumento do volume do fígado e baço, tremores, convulsões, petéquias (manchas vermelhas na pele, parecidas com as mordeduras de pulga) e distúrbios respiratórios.
O aumento do fígado e baço é aspecto sempre observado nos recém-nascidos sintomáticos.
O recém-nascido infectado pode apresentar também edema de pele ou edema associado a derrames nas cavidades pleurais e abdominal (hidropisia), aspecto que pode também ser diagnosticado durante a vida intra-uterina, através de estudo ultrassonográfico.
Pouco freqüentemente, a infecção chagásica pode causar microcefalia, retardo mental, retardo psicomotor e alterações oculares.
Também podem ocorrer distúrbios digestivos, tais como regurgitação de alimentos, vômitos e dificuldade de deglutição



quarta-feira, 13 de abril de 2011

AVULSO- ÍTALO RODRIGUES DE ARAÚJO SHERLOCK

REVISTA DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE MEDICINA TROPICAL
Print version ISSN 0037-8682
Rev. Soc. Bras. Med. Trop. vol.42 no.3 Uberaba May/June 2009
doi: 10.1590/S0037-86822009000300027 
NECROLÓGIO
 ÍTALO RODRIGUES DE ARAÚJO SHERLOCK (*1936 †2009)
Geraldo Leite
ÍTALO SHERLOCK

*

 Perdeu o Brasil, em março último, um de seus maiores entomologistas: Ítalo Rodrigues de Araújo Sherlock.
No século passado, década de quarenta, o casal Deane e o Prof. Samuel Pessoa, percorrendo o nordeste do Brasil em viagem de estudo, chegaram a cidade de Sobral e tiveram conhecimento que ali existia um menino prodígio. Era um adolescente, de 14 anos, dotado de uma habilidade extraordinária para lidar com insetos e outros animais. Essa paixão pela investigação ele herdara do seu avô, o qual cultivava a mania de pesquisar tudo o que encontrava. Daí o nome de Sherlock, nome que passou para a família.
O casal Deane e O Prof. Samuel Pessoa procuraram o pequeno cientista e ele, com o entusiasmo dos predestinados, mostrou seu museu e suas coleções de insetos.
Os visitantes convidaram Ítalo para trabalhar com eles, e o menino prodígio deixou Sobral para exercer o mister de auxiliar de entomologista.
Ingressou na campanha contra a leishmaníase, ajudando os Deane em suas pesquisas, no interior do Ceará.
Depois, os Deane levaram Ítalo para São Paulo e conseguiram uma licença especial para que o jovem, apesar da pouca idade, realizasse um curso de entomologia na Universidade de São Paulo (USP).
Concluído o curso, Ítalo publicou seu primeiro trabalho científico, sob a orientação de Leônidas e Maria Deane.
De São Paulo, o jovem foi encaminhado para o Rio de Janeiro, onde frequentou o Instituto Oswaldo Cruz. No Instituto, conheceu o Dr. Otávio Mangabeira Filho, grande entomologista recém-chegado dos Estados Unidos. O Dr. Otávio Mangabeira Filho convidou Ítalo para vir para a Bahia.
Aqui chegando, ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia, pela qual foi diplomado em 1963.
Após alguns cursos de pós-graduação, realizados em Salvador, Ítalo voltou para São Paulo e especializou-se em entomologia, na USP.
Durante o regime militar, o Prof. Samuel Pessoa, acusado de ser comunista, refugiou-se, com a esposa, na casa de Sherlock, em Salvador. Observando que Sherlock era um pesquisador e, como pesquisador, não tinha como se manter, Samuel Pessoa e sua esposa induziram-no a seguir uma especialidade clínico-cirúrgica. Assim impulsionado, Ítalo fez um curso de otorrinolaringologia e tornou-se, além de pesquisador, um profissional conceituado.
Em 1971, foi para Londres e especializou-se em Medical Entomology and Protozoology, na London School of Hygiene Tropical Medicine.
Nos anos de 1995, 1996 e 1997, fez o doutorado em Biologia Parasitária, na Fundação Oswaldo Cruz.
Como pesquisador titular do Centro de Pesquisas Gonçalo Moniz, em Salvador, Ítalo desenvolveu intensa atividade científica, notabilizando-se como um dos maiores entomologistas do Brasil.
Dedicou-se, nas horas de lazer, à pintura (herança de seus pais, os quais também eram pintores, nas horas vagas). Produziu cerca de trinta telas artísticas, inclusive uma tela a óleo, intitulada Monalisa da Conceição Santos, exposta em 1988.
Ítalo é autor de 166 trabalhos científicos, 12 capítulos de livros e 195 trabalhos apresentados em congressos. Sua área de atuação era leishmaníases, esquistossomíase, peste e outras endemias tropicais.
Dentre seus trabalhos, ressalto os referentes ao levantamento dos triatomíneos e dos flebotomídeos da Bahia, os dos reservatórios silvestres do calazar, os da periodicidade epidêmica decenal da leishmaníase visceral, os da endemia canina do calazar e os da transmissão das leishmânias pelo Rattus rattus, Didelphys albiventris e Ripicephalus sanguineus.
Ítalo descobriu e descreveu várias espécies de flebótomos e de triatomíneos.
Muitos dos seus trabalhos tiveram repercussão internacional.
Perdemos assim, em 2009, um dos maiores pesquisadores do Brasil.

DR. ÍTALO SHERLOCK, UM PRESENTE CEARENSE PARA A BAHIA
Ogvalda Devay de Souza Torres
 
ÍTALO SHERLOCK



Ítalo Rodrigues de Araújo Sherlock, nasceu na cidade de Sobral, estado do Ceará, em cinco de abril de 1936, filho de Raymundo Freitas de Araújo Sherlock, engenheiro eletrônico prático e de Alda de Albuquerque Rodrigues de Araújo Sherlock. Foi o 6º filho do casal que constituiu uma prole de 14 filhos.

Sua mãe, donzela de beleza admirada por todos da época, nasceu no território do Acre onde os avôs maternos, portugueses legítimos, eram da família Teixeira de Albuquerque Souza Rodrigues, proprietários de imensos seringais na Amazônia e que, posteriormente, se mudaram para o Estado do Ceará.

Falando ainda de sua ascendência familiar, o homenageado conta com seu jeito descontraído e a voz grave carregada de sotaque sertanejo, que seu forasteiro avô paterno casou-se com uma linda ameríndia brasileira de cabelos negros, longos e esvoaçantes, na flor dos 13 anos de idade, após roubá-la na garupa de seu cavalo, de um orfanato do Ceará, acompanhados por uma troupe de ”cabras da peste” que os protegiam.

Dr. Sherlock viveu uma infância onde era freqüente a presença de pessoas cultas que visitavam ou se hospedavam com seus avôs. Teve uma educação formal e aprimorada em colégio de padres; sua mãe era muito prendada, lia e falava grego, desenhava, pintava e, como todas as moças da época, bordava e ‘11’cantava muito bem. Nesse ambiente artístico, pois o pai também desenhava, desenvolveu cedo habilidade para o desenho e pintura. Lembra-se de um de seus primeiros trabalhos, o Apolo do Belvedere, o homem mais perfeito segundo a mitologia grega, que recebeu a primeira crítica artística, devido a falta de proporção do corpo que não tinha 7 cabeças de altura, sendo de baixa estatura, provavelmente devido a influência do padrão da família Sherlock.

Segundo a historiadora Anna Beatriz de Almeida e a doutora em História da Ciência, Marli de Albuquerque, em artigo que publicaram (Hist. Cienc. Saúde-Manguinhos V.7 n.1, RJ mar/jun. 2000), “o avô era um homem muito curioso, que gostava de investigar tudo que achava interessante, por conta disso, passou a ser conhecido como Sherlock, nome que passou à Família”. Esse interesse Dr. Ítalo herdou do avô e desde pouca idade colecionou insetos, ofídios e outros animais que guardava em caixas de malacacheta por ele próprio preparadas para organizar o seu “Museu”.

A vida se constrói, também, de oportunidades bem aproveitadas.

Na década de 50 pesquisava-se a obscura epidemiologia da Leishmaniose visceral, e os pesquisadores SAMUEL BARNSLEY PESSOA, LEÔNIDAS DE MELO DEANE, sua esposa MARIA JOSÉ VON PAUMGARTTEN DEANE e JOAQUIM EDUARDO DE ALENCAR, visitaram Sobral. Conheceram o “Museu” do jovem Ítalo, e despertados pelo interesse do cearense, logo o convidaram para trabalhar como auxiliar de entomologia na Campanha contra a Leishmaniose, onde foi aluno de entomologia do Prof. ARCHIBALDO BELLO GALVÃO. Iniciou assim sua vida de pesquisador. Fez em seguida o curso livre de Entomologia da Faculdade de Higiene e Saúde Publica da USP tendo publicado seu primeiro trabalho científico. De São Paulo foi estagiar, em 1957, no Instituto Osvaldo Cruz, no Rio de Janeiro, onde conheceu o Dr. OCTAVIO MANGABEIRA FILHO que o convidou para trabalhar na Bahia, no Centro de Pesquisas Gonçalo Moniz, que criara recentemente e dirigia em Salvador.

Penso ter conhecido o Dr. Ítalo Sherlock em 1958, em Campanha contra a Filariose Bancroftiana,  promovida pelo Lions Clube de Salvador-Itapagipe.

Cursou Medicina no antigo prédio da Faculdade de Medicina da Bahia do Terreiro de Jesus, hoje FAMED-UFBA, tendo-se graduado em 1963, passando então a pertencer ao quadro provisório de pesquisadores do Instituto Osvaldo Cruz do Rio de Janeiro, de onde já era bolsista de iniciação científica sob a orientação de Octavio Mangabeira Filho.

Impossível resumir, em espaço limitado, a trajetória científica do ilustre homenageado. Tem várias especializações, Entomologia Médica (USP, 1956), Clínica Otorrinolaringológica (HUPES-UFBA, 1966), Entomologia e Protozoologia (London School of Hygiene and Tropical Medicine, 1971) e doutorado em Biologia Parasitaria (IOC - FIOCRUZ, RJ, 1997). Desde 1958 é pesquisador da FIOCRUZ, tendo sido homenageado como seu funcionário mais antigo em atividade, durante as comemorações do centenário de fundação dessa entidade, em 2001, quando Dr. Ítalo completava 46 anos de dedicação à Instituição. Criou o primeiro Conselho de Ética do CPqGM-FIOCRUZ e dirigiu essa  Instituição de Pesquisas após a morte de O.Mangabeira Filho, de 1963 a 1980. Como Professor, colaborou na Especialização sobre Ensino Básico Regionalizado de Saúde Pública (1976-1978), em Pós-graduação, na Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, na Extensão Universitária sobre “Criação de um Conselho de Ética”, para a Faculdade de Tecnologia de Ciência da Bahia, foi Professor Colaborador para “Vetores, Transmissão e Controle de Dengue” e atuou como colaborador e Professor Assistente de Otorrinolaringologia do HPES-FM-UFBA (1964-1967).

É imensa sua produção científica. Nos últimos 5 anos, até setembro de 2004,  em seu curriculum vitae por mim enviado à Sociedade Brasileira de Parasitologia, pude verificar a publicação de 20 trabalhos completos em anais de eventos e seis como colaborador, 102 resumos como autor principal e 47 como colaborador. Tem 11 capítulos de livros publicados,  textos em Jornais de Notícias e impressos de sua autoria. São 49 os trabalhos técnicos que publicou. Numa publicação da Universidade Gama Filho do Rio Janeiro, até o ano 2001, só relacionados a entomologia, estão listados 116 trabalhos publicados em revistas científicas indexadas nacionais e internacionais e 108 trabalhos apresentados e publicados  em resumos de congressos nacionais e internacionais.

Em memorial organizado em julho do ano 2004, a seguinte produção é salientada, com base no resumo estatístico das publicações científicas sobre clínica, epidemiologia, transmissão, controle, reservatórios e vetores de leishmanioses, doença de Chagas, filarioses, esquistossomose, peste bubônica, dermatozoonoses: 335 trabalhos publicados, sendo 111 em periódicos brasileiros indexados, 51 em periódicos estrangeiros, 11 capítulos de livros, 5 publicações  diversas e 170 em resumos de congressos seminários e  simpósios.  Atualmente, o pesquisador informa haver mais dados, mas ainda não os tem disponíveis, em mãos, devido a mudança de local de sua documentação por motivo de sua aposentadoria, o que, só com mais tempo, será tudo organizado em novo Memorial documentado com os originais comprovantes.

Desde 1960 vem sendo laureado por mérito, tendo neste ano, ainda estudante de Medicina, recebido, por seus trabalhos, a MEDALHA DE BRONZE GASPAR VIANA comemorativa do cinqüentenário da descoberta do tratamento das leishmanioses por GASPAR VIANNA.  Em 1974 recebeu a MEDALHA DE OURO e o Prêmio GERHARD DOMAGK pelo melhor trabalho publicado no período de 1972 a 1973, que lhe foi entregue pela Sociedade Brasileira de Medicina Tropical e Laboratório Bayer em 1974, em Curitiba, Paraná. No mesmo ano recebeu a MEDALHA DE BRONZE ‘CARLOS CHAGAS”pela participação no I Seminário de Pesquisas Nacionais em Doença de Chagas, no Rio de Janeiro. Em 1976 recebeu a MEDALHA DE BRONZE pela participação no XII Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical e I Congresso da Sociedade Brasileira de Parasitologia,

Em 1987 foi Presidente da Comissão Científica do X Congresso da Sociedade Brasileira de Parasitologia, realizado em Salvador, Bahia, tendo recebido Diploma de HONRA AO MÉRITO que lhe foi entregue pelo Presidente da SBP, na época, Dr. HABIB FRAIHA NETO. Em 1999 recebeu Diploma e Medalha “2000 OUTSTANDING SCIENTIST OF THE 20th CENTURY”, do International Biographical Center, Cambridge, England.

Outras homenagens de carinho e de reconhecimento lhe foram prestadas. Recebeu MENÇÃO HONROSA na Câmara Municipal de Sobral, em maio de 1987, como “FILHO ILUSTRE”. Em 1995 recebeu o título de CIDADÃO DA CIDADE DE CASTRO ALVES, pela Câmara Municipal e Prefeitura desta cidade baiana. Foi Professor Homenageado da turma de Biólogos pela UFBA em 1998.
Chama a atenção o número de novas espécies de flebotomíneos e triatomíneos por ele descritas, e a distinção que recebeu de entomologistas estrangeiros, nomeando espécies outras em sua homenagem entre os quais Lutzomyia sherlocki, Triatoma sherlocki, Panstongylus sherlocki.

Mas, o que mais me apraz referenciar a respeito do Dr. Ítalo, é a sua sensibilidade artística que costuma existir em pessoas de grande coração.

Seus primeiros trabalhos foram esculpidos, como SÃO JOÃO BATISTA E O CORDEIRO (1950), A ALUCINAÇÃO DE UM ESCULTOR (1952).

Visitando a sua casa, pude apreciar algumas de suas telas, pintura a óleo, o gênero preferido pelo artista, como AIYÁ (1960), EMÍLIA AMÉLIA, RETRATO DE MINHA AVÓ (1967), A DAMA DO BARALHO ANTIGO DE MINHA AVÓ (1969), MINHA NOIVA (1981), EMÍLIA E O PÁSSARO e TIM E ZOLA (de 1984), ANJO DE GUARDA (iniciado em 1992, inacabado). Outras tantas telas, como MINHA IRMÃ VILMA (1982), RETRATO ACADÊMICO – O PROFESSOR ALUIZIO PRATA (1995), RETRATO DE DR. ROBERTO BADARÓ e RETRATO DE MINHA MÃE (2000), não fazem parte do acervo do autor, já foram ofertados. Cheguei a conhecer MONALISA DA CONCEIÇÃO SANTOS, LA GIOCONDA NEGRA, que foi exposto em 1988 com outras obras de médicos pintores, e hoje faz parte do acervo de Dr. Geraldo Leite, outro parasitologista, presente sergipano para a Bahia. Algumas de suas telas pintadas a óleo, como A BELA DO 63; A BAIANA FLORINHA (1973), e A BAIANA VILMA (1974) estão em Londres, Inglaterra, assim como a PAÍS TROPICAL (1973), aquarela.

Dr. Ítalo também trabalha em escultura a ponta de canivete em gesso, óleo e vidraria, como sua “VELHA SABEDORIA CHINESA (1979)” que está nos Estados Unidos, acervo do Prof. THOMAS WELLER, em Boston.

No período de 1959 a 1980 elaborou desenhos a bico de pena com nankim ou aquarela, diversos representando peças anatômicas ou morfologia geral de triatomíneos ou flebotomíneos para ilustração de trabalhos científicos publicados em periódicos, livros e revistas.

Impressionaram-me muito 10 peças de porcelana pintadas com ouro e tintas próprias de porcelana queimadas a 800ºC, em estilo chinês, e também a tela a óleo “DILOGUN” que o autor descreve com uma “baiana tipicamente trajada e seu tabuleiro com comidas baianas, fazendo acarajé e usando todos os paramentos e adereços clássicos, inclusive o poderoso brinco dilogum que guarda todo o mistério e magia dos orixás”.

Em 2004 foi realizado, na Bahia, o I Congresso de Médicos Artistas, e convidei o Dr. Ítalo para participar como pianista, que sabia que era. Nessa condição, não aceitou, mas resolveu pintar DOUTORA OGVALDA E SEU VIOLINO, que descreveu como “A felicidade estampada no olhar e sorriso da Doutora Ogvalda bem demonstram a sua paixão pela música clássica que costuma exercitar no seu inseparável violino, nas horas de lazer, quando descansa das árduas tarefas médicas de sua carreira profissional”. E ganhei esse precioso presente!

Encerro referindo-me a sua Família, a JU, sua esposa de beleza completa, física e espiritual, e seus amados filhos Tim e Emília. Quanto a Emília, gradua-se em Biologia logo mais, pela Universidade Católica, e tive a honra de ter sido incluída na Comissão Julgadora de seu Trabalho de Conclusão de Curso, a Monografia sobre “Flebotomíneos da área metropolitana de Salvador; especulações sobre possíveis transmissores da leishmaniose visceral canina”, orientada por seu Pai. Que beleza! Emília pretende fazer o curso de Medicina e nós esperamos que ela continue o dedicado trabalho do seu Pai na Bahia.

terça-feira, 12 de abril de 2011

JOIAS DA INTERNET - JOSÉ CÂNDIDO DA SILVA MURICI


JOSÉ CÂNDIDO DA SILVA MURICI

 Acesso em 12 de maio de 2011)


JOSÉ CÂNDIDO DA SILVA MURICI



A história da família Muricy na medicina é uma das mais antigas de Curitiba e já está na terceira geração.
O Hospital Dr Muricy é uma homenagem ao bisavô do seu idealizador e Presidente, Dr. José Candido Muricy, do qual herdou o nome, o empreendedorismo e o dom da medicina.
José Cândido da Silva Murici nasceu em 31 de dezembro de 1827, na cidade de Salvador, capital da Província da Bahia. Era filho de Joaquim Inácio da Silva Pereira e de Joana Francisca Pereira. Seu progenitor, era um patriota exacerbado, que participou na luta pela Independência; era do grupo de jacobinos que trocaram o nome, por outros ligados à terra. Daí seu ilustre sobrenome Murici, que figura com muito destaque, na história do Paraná.
Formou-se na Faculdade de Medicina da Bahia, em 1852. Na capital do Império o jovem médico ingressou no corpo de saúde do Exército, recebendo a sua patente em 9 de julho de 1853. Em 8 de novembro de 1853, como oficial médico, chegou em Curitiba. Em 26 de abril de 1854 foi nomeado, como vacinador Provincial, pelo primeiro presidente provincial do Paraná o Conselheiro Zacarias de Góes e Vasconcellos. O cargo equivale o que é hoje o de Secretário Estadual da Saúde.
Dr. Murici, o ilustre baiano, a quem Curitiba e todo o Paraná tanto devem, além de médico, oficial do Exército e vacinador provincial, foi também deputado provincial liberal por três mandatos. Foi condecorado com a Comenda da Imperial Ordem da Rosa. Junto com o Desembargador Agostinho Ermelino de Leão, em 25 de setembro de 1876, fundou o Museu Paranaense.
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Desde 1855, quando começou a funcionar o primeiro hospital da Santa Casa, na rua Direita (atual rua 13 de Maio), que fora doado pela loja maçônica “Candura Coritibana”, o Dr. Murici era seu único médico. Foi Provedor da Irmandade de Misericórdia da Santa Casa de Curitiba, de 1866, até sua morte em 1879.
A colocação da pedra fundamental do novo Hospital de Caridade de Curitiba aconteceu em 8 de março de 1868, e a conclusão da obra aconteceu 12 anos após, em 1880. O Dr. Murici foi o idealizador e construtor do Hospital de Caridade, foi a alma e a construção dos trabalhos de construção do edifício, da supervisão direta e permanente das obras, do seu planejamento à luta por recursos junto aos poderes provinciais.
O devotamento ao hospital era tal que a Câmara Municipal fez denominar “Largo do Muricy”, ao então chamado Campo da Cruz das Almas, hoje Praça Rui Barbosa, onde o hospital estava sendo construído.
O grande benemérito provedor faleceu prematuramente, em Curitiba, aos 52 anos, em 20 de março de 1879, não tendo alcançado o término e inauguração de seu hospital. Após a morte do Dr. Murici, foi eleito para Provedor da Santa Casa o seu genro, o também baiano, militar e médico, Dr. Antonio Carlos Pires de Carvalho e Albuquerque, que concluiu as obras do Hospital de Caridade e o inaugurou em 22 de maio de 1880, com a presença do Imperador D. Pedro II.
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A Câmara Municipal o homenageou, através da Lei Municipal 353, de 2 de dezembro de 1912, dando o nome “Alameda Doutor Muricy”, à antiga “Rua da Assembleia”.
O bisneto José Candido Muricy, médico formado em 1968, pela Universidade Federal do Paraná, é um dos especialistas mais conceituados em cirurgia corretiva da calvície do Brasil. No início da década de 80, quando já era um cirurgião geral de renome, o Dr. Muricy começou sua especialização em cirurgia plástica, com estágios junto a cirurgiões renomados mundialmente dentre os quais estão os Drs. Antonio Costa Estima, de Porto Alegre, RS; Dr. Jaime Planas, de Bacelona, Espanha e o Dr. José Guerrero Santos, de Guadalajara, México. Iniciou na especialidade de transplante capilar em 1986 e há mais de 12 anos dedica-se exclusivamente nesta área. Sua experiência e refinada técnica lhe conferem credibilidade e reconhecimento internacional entre seus pares.
A terceira geração está representada na Dra. Maria Angélica Muricy, que aos 9 anos foi levada pelo pai ao centro cirúrgico já decidida pela carreira de médica . Formada em 1994 pela Faculdade Evangélica de Medicina do Paraná, fez residência médica em dermatologia no Hospital Santa Casa de Misericórdia de Curitiba nos anos de 1995, 1996 e 1997. Após sua formação, fez cursos de especialização na Argentina e Estados Unidos e desde 1999 atua nas áreas de transplante capilar e tratamento não-cirúrgico da queda de cabelos. Sua formação prática, iniciada na fase acadêmica, foi com o próprio Dr. Muricy.


segunda-feira, 11 de abril de 2011

AVULSO- ALUIZÍO DA ROSA PRATA

 
 
ALUÍZIO DA ROSA PRATA

ALUÍZIO DA ROSA PRATA

 Geraldo Leite

Mineiro de Uberaba. Graduou-se em Medicina, pela Universidade do Brasil, em 1945.
Nas décadas de cinqüenta e sessenta do século passado, ressuscitou a Escola de Tropicalistas da Bahia, fundada por Wucherer, Silva Lima e Patterson. Nenhum professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia colaborou, como ele, para o soerguimento da pesquisa científica em nosso meio. Fez escola, na Bahia, em Belo Horizonte, em Brasília e em Uberaba.
Iniciou suas atividades acadêmicas na Bahia, precisamente na Faculdade de Medicina da Universidade Federal, e no Hospital Naval de Salvador. Seus primeiros discípulos e colaboradores datam daquela época. Rodolfo Teixeira, foi seu sucessor na cadeira de Clínica de Doenças Tropicais da Faculdade de Medicina da UFBa. Fato inédito: o Prof. Aluízio Prata, além de ter um discípulo como sucessor, seu sucessor teve outro discípulo de Aluízio Prata, como continuador. Em Brasília, para onde o Prof. Prata se transferiu, deixou,  outro discípulo, como sucessor.
Foi, e ainda é, um legítimo criador de escola, um dos maiores tropicalistas do Brasil, festejado nos maiores centros médicos nacionais e internacionais.
Na Faculdade de Medicina da Bahia, conquistou a Livre Docência em memorável concurso, quando defendeu tese sobre a biópsia retal na esquistossomíase mansônica. Com esse trabalho, pioneiro nos anais da parasitologia, demonstrou que o ovo do Schistosoma mansoni , ao ser posto pela fêmea, leva seis dias para amadurecer no hospedeiro definitivo, até ser arrastado pelo bolo fecal, com o miracídio vivo.
Dois anos depois,disputou a cátedra de Doenças Tropicais, em notável concurso de títulos e provas, no qual defendeu tese sobre “Aspectos Clínicos e Laboratoriais do Calazar na Bahia”.
Seus trabalhos de pesquisa fizeram o governo da Bahia convidá-lo para dirigir a Fundação Gonçalo Moniz.
Posteriormente, exerceu suas atividades acadêmicas na Universidade Nacional de Brasília.
Trabalhou em inúmeros projetos de estudo das doenças tropicais, notadamente esquistossomíase e leishmaníases. Teve presença marcante no Instituto Nacional de Endemias Rurais (INERu), no Departamento Nacional de Endemias Rurais (DENERu), no Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (do qual foi fundador e primeiro diretor), na Universidade Federal da Bahia, na Universidade Nacional de Brasília e na Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro.
Até 2007, publicou duzentos e sessenta e cinco artigos em periódicos especializados, e cento e setenta e cinco trabalhos em anais de congressos. Possui trinta e sete capítulos de livros e sete livros publicados. Participou de setenta e cinco eventos no exterior e trezentos e oitenta e oito no Brasil. Orientou vinte e duas dissertações de mestrado  e três teses de doutoramento e participou de inúmeras bancas examinadoras de concursos para Livre Docência, Professor Titular e Doutorado.
Interagiu com seiscentos e tinta e nove colaboradores de trabalhos científicos na sua área de conhecimento.




FONTES BIBLIOGRÁFICAS:

Leite, Geraldo- Reminiscências. Imprensa Universitária. Universidade Estadual de Feira de Santana. Feira de Santana, 2007.
Aluízio  Prata - Disponível em  http:/buscatextual.cnpq.br/buscatextual /visualizacv. jsp?id=K4780486 Y1. Acesso em 22 de  novembro de 2008.

ALUÍZIO PRATA



HOMENAGEM DA 3ª MOSTRA NACIONAL DE EXPERIÊNCIAS BEM-SUCEDIDAS EM EPIDEMIOLOGIA, PREVENÇÃO E CONTROLE DE DOENÇAS - 2003
 
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Além de ter uma trajetória profissional marcada pelo extensivo estudo de doenças infecciosas, o que contribuiu decisivamente para o controle de endemias brasileiras, Aluízio Prata é um dinâmico pesquisador de campo. Implantou áreas em zonas rurais para o estudo da doença de Chagas, esquistossomose, malária e leishmaniose tegumentar. Seus estudos, com especialização em Protozoologia, Helmintologia e Entomologia, contribuíram significativamente para o avanço da epidemiologia no Brasil.
Demonstrou o impacto do tratamento em massa com menores de 20 anos para evitar as formas graves da esquistossomose. Estudou e descreveu aspectos clínicos e epidemiológicos da “febre negra de Lábrea” e da “esplenomegalia tropical”, duas doenças desconhecidas até a década de 70.
Investigou o surto de febre amarela em 19 municípios do entorno do Distrito Federal em 1972 e realizou o Inquérito Nacional de Doença de Chagas.
Diretor da Fundação Gonçalo Moniz no período de 1961 a 1972, fundador e coordenador do Núcleo de Medicina Tropical e Nutrição da Universidade de Brasília, e chefe da Clínica de Doenças Infecciosas e Parasitárias da Universidade de Medicina do Triângulo Mineiro, em Uberaba. Aluízio Prata atua como assessor do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS) em áreas de controle das doenças infecciosas.
                                                                                                   


                      

domingo, 10 de abril de 2011

AVULSO - ZILTON ANDRADE

ZILTON ANDRADE

 

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Discurso pronunciado na Academia de Medicina da Bahia

 

Geraldo Leite


 
 
 
Minhas Senhoras,
Meus Senhores

Quais - ilustre Presidente, queridos confrades e visitantes, ­os principais problemas que atormentaram o homem do nosso tempo?

No princípio deste século, direis vós, a causa de tais proble­mas, segundo FREUD, era a dificuldade de acomodar, sem trau­ma nem ofensa, de um lado o homem e seus instintos e, do outro, a sociedade e seus tabus.

Mais tarde, acrescentareis vós, lá pelos anos 20, de acordo com OTTO RANK, as raízes de tais problemas passaram a ser os sentimentos de inferioridade e de culpa, os quais tingiram de opacas cores uma década de desânimo e frustração.

Em seguida, complementareis, nos anos 30, no dizer de KAREN HORNET, o epicentro de tais problemas deslocou-se para a arena do confronto e da competição isto é, para o campo da luta entre indivíduos, grupos, raças e partidos, o que resultou num grande conflito - o maior da história - o qual lançou no jogo ar­dente de uma guerra, quase interminável, um sem-número de povos e nações, tão distantes quanto contraditórios.

Depois, direis vós, veio o arremedo de paz, a desconfiança e a exaustão e com ela uma nova era, retratada de modo admirável por ROLLO MAY em sua obra, hoje célebre: "O HOMEM À PRO­CURA DE SI MESMO". Nesse livro afirma o mestre, de modo textual: "Pode surpreender que eu diga, baseado em minha ex­periência profissional, assim como na de meus colegas psicólo­gos e psiquiatras, que o problema fundamental do ser humano, no meado do século 20, é o vazio. Com isso quero dizer não só que muita gente ignora o que quer, mas também que freqüen­temente não tem uma idéia do que sente. Quando falam sobre a falta de autonomia, ou lamentam sua incapacidade para tomar uma decisão - dificuldades presentes em todas as épocas - tor­na-se logo evidente que seu verdadeiro problema é não ter uma experiência definida de seus próprios desejos e necessidades. Oscilam desse modo para aqui e para ali, sentindo-se dolorosa­mente impotentes porque de fato são ocos, vazios."

Na verdade, poucos, naquela época, ao raiar dos anos 50, tinham capacidade de tomar uma decisão, que marcasse para sempre o rumo de uma vida! Poucos, assombrosamente pou­cos, ainda nos bancos da Faculdade de Medicina - então a única entre nós existente - não oscilavam, como disse o mestre, para aqui e para ali, numa pendular indecisão, verdadeiramente Shakesperiana, do ser ou não ser, do ir ou não ir, do fazer ou não fazer.

Um dentre nós, no entanto, se destacava dentro da nossa turma, a dos médicos do Ano Santo, doutorandos de 1950. Refi­ro-me, senhores, a Zilton de Araújo Andrade, nascido em Santo Antônio de Jesus, naquela década de opacas cores, naquele decênio de depressão e desânimo.

Eu me lembro, eu me lembro ainda, daquele colega, no quarto ano médico, ao meu lado. Sóbrio, comedido, quase sem falar, ainda estudante, na Gonçalo Moniz, no fim de linha do Canela, tomava aulas com Mangabeira Filho, Samuel Pessoa, Pedro Janine, Carlos da Silva Lacaz, Herman Lent, Lobato Paraense e outros luminares da ciência brasileira, cavando com as mãos a força do destino!

Enquanto nós, seus companheiros, estudavam por estudar, aprendiam por aprender, ele - àquela época já ao lado de Sônia - conquistava passo a passo, em um ritmo cada vez mais acele­rado, os degraus da vida, numa persistente procura de si mesmo. Ele, naquela altura, já sabia qual a sua trajetória, qual o caminho que iria percorrer e fazia de Sônia, sua futura companheira, sua primeira colaboradora.

Eu me lembro, eu me lembro ainda, daquele 14 de dezem­bro de 1950, dia da nossa formatura. Naquela época não havia em nosso meio uma estrutura bem definida, um suporte suficien­temente forte para garantir a um jovem de limitados recursos um eficiente sustentáculo para a pós graduação. Ele, todavia, era um predestinado. Os obstáculos não o desanimavam. O seu tigmo­tropismo era por demais acentuado. Enquanto todos nós esvoa­çavam, no dia seguinte, cada um em busca do seu destino, uns para Feira de Santana, outros para Jequié, Vitória da Conquista, Ilhéus, Itabuna ou Salvador, ele, Zilton Andrade, como uma águia - a mais possante e majestosa de todas as aves, ave que simbo­liza a força e a nobreza - alçou vôo e na Faculdade de Medicina da Universidade de Tulane fez, de 1951 a 1953, sua Residência em Patologia.

Daí regressou para o Brasil e, na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, conquistou o doutorado. De volta à Bahia, pou­sou a águia no seu ninho, o vetusto berço da medicina pátria e conquistou a livre docência.

Voltou logo em seguida para os Estados Unidos onde, na qualidade de pesquisador, permaneceu no Hospital do Monte Sinai, em New York, cerca de dois anos.

Em seguida tornou-se professor visitante do departamento de patologia do CORNELL UNIVERSITY MEDICAL COLLEGE.

Novamente na Bahia, com um currículo considerado como um dos melhores do seu tempo, prestou, em 1974, concurso para professor titular de patologia, na antiga Faculdade de Medicina, a sua faculdade, primaz do Brasil, e conquistou com galhardia a cadeira outrora ocupada por Gonçalo Moniz, Otávio Torres e ou­tras expressões, as mais altas, da medicina baiana!

Ao título de professor de patologia, associou o de pesquisa­dor titular do Instituto Oswaldo Cruz; o de Chefe do Laboratório de Patologia do Hospital das Clínicas; o de Chefe do Departa­mento de Patologia e Medicina Legal da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia; o de Diretor do Centro de Pes­quisas Gonçalo Moniz; o de Chefe do Laboratório de Patologia Experimental do Centro de Pesquisas Gonçalo Moniz; o de mem­bro do Conselho Nacional de Pesquisas, para os programas de Patologia e Doenças Tropicais; o de membro do Conselho Técni­co - Científico do Instituto Oswaldo Cruz; o de Presidente da So­ciedade Brasileira de Patologistas; o de Presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia e o de Presidente da Sociedade Brasi­leira de Medicina Tropical, além de honrarias internacionais (des­tacando-se dentre estas a de membro do Grupo de Trabalho da Organização Mundial de Saúde para estudo da Esquistossomose e da doença de Chagas; o de membro do Comitê de Especialis­tas da Organização Mundial de Saúde, para Imunologia e Parasitologia).

Os triunfos conquistados ao longo de tão luminosa trajetória não perturbaram o seu caráter simples e cordial, mesmo porque a eles outros foram somados: Prêmio ALFRED JURZYKOWSKY, da Academia Nacional de Medicina; membro honorário da Sociedade Argentina de Cardiologia; prêmio nacional de Ciência e Tecnologia, conferido pelo Conselho Nacional de Pesquisas; pro­fessor emérito da Universidade Federal da Bahia; membro hono­rário da Sociedade Americana de Medicina Tropical e Higiene; comenda Euclides de Jesus Zerbini, conferida pela Sociedade Brasileira de Cardiologia; membro emérito da Sociedade Brasileira de Patologia, etc.

Dentre as publicações que honrou com o seu nome figuram diversos capítulos de vários livros de texto, publicados no Brasil, na Argentina e nos Estados Unidos, além de mais de uma cente­na e trabalhos originais, dados à luz em periódicos nacionais e estrangeiros, dos quais destacamos os editados pelas revistas IMUNOLOGY, INTERNATIONAL JOURNAL OF EXPERIMENTAL PATHOLOGY, HUMAN PATHOLOGY, AMERICAN JOURNAL OF TROPICAL MEDICINE AND HYGIENE, AMERICAN JOURNAL OF PATHOLOGY, VIRCHOW'S ARCHIV, MEMÓRIAS DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ, REVISTA DO INSTITUTO DE MEDICI­NA TROPICAL DE SÃO PAULO, ACTA HEPATOLÓGICA, RE­VISTA DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE MEDICINA TROPICAL e muitas outras.

Dentre as homenagens recebidas por ocasião do seu qua­dragésimo quinto ano de formatura, destacamos a Ordem de Mérito Científico, conferida pelo presidente da República Federativa do Brasil; a placa comemorativa da Associação Bahiana de Medici­na, pelo fato de ter sido o seu nome incluído entre os mais desta­cados cientistas brasileiros pelo I.S.I dos Estados Unidos; a me­dalha José Silveira, instituída pelo Rotary Clube do Brasil.

Este é o homem que a Academia de Medicina da Bahia ho­menageia nesta noite!

Concluindo, tomo como minhas as palavras de LYNN WHITE JUNIOR, no seu livro "AS FRONTEIRAS DO CONHECI­MENTO." Ei-las, tal como foram escritas:

"Não são as revoluções da política, mas as revoluções silen­ciosas da inteligência que modificam o curso da humanidade. O timão e a rédea eram mais poderosos do que César e a bússola e a imprensa mais contribuíram para modificar a face da terra do que as guerras de Napoleão".

Quanto à medicina brasileira, senhores, os trabalhos de Zilton Andrade foram uma revolução. Os aspectos anatomopatológicos da Patologia Tropical do nosso país só passaram a ser bem com­preendidos depois dos seus estudos e publicações.

Este é o homem ao qual, a Academia de Medicina da Bahia - e, porque não dizer, a Bahia inteira - com reverência, respeito­samente se curva!




PAVILHÃO ZILTON ANDRADE
CENTRO DE PESQUISAS GONÇALO MONIZ
FIOCRUZ, SALVADOR (BAHIA)
                            

sábado, 2 de abril de 2011

AVULSO- ASSIM NASCEU A UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA...

 
GOVERNADOR LUIZ VIANA FILHO

Geraldo Leite


 
Corria o ano de 1968 e eu continuava com os meus afazeres na terra do Senhor do Bonfim.
Embora residindo em Salvador, acompanhava com interesse os acontecimentos de Feira de Santana, sobretudo aqueles ligados ao ensino superior.
Convivendo no meio acadêmico da capital, a oportunidade seria maior para a concretização do  sonho de ver em Feira uma Universidade.
Meu entusiasmo cresceu quando vi medrar em solo feirense a Faculdade de Educação, com os cursos de Letras, Ciências e Estudos Sociais. Acredito que Wilson Falcão foi peça importante para a criação da referida Faculdade.
Tomei contato com o denodado batalhador das causas feirenses, o deputado Wilson Falcão, e percebi que continuava vivo em sua pessoa o sonho que junto alimentamos em companhia de Fernando Pinto de Queiroz e outros idealistas.
Face a grandiosidade do projeto, optamos pela estratégia de pleitear uma Faculdade de Medicina para em seguida chegarmos à Universidade.
Para que o plano surtisse o efeito esperado, necessitávamos apenas de dois ou três professores universitários de Salvador, para me ajudarem na elaboração do projeto.
Depois de cuidadosa pesquisa, identifiquei em Plínio Garcês de Sena e em Ruy Machado da Silva, na Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia e na Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública,  as pessoas procuradas.
=====
Concluído o projeto, Wilson expressou o desejo de ouvir o reitor da Universidade Nacional de Brasília.
Na manhã de 29 de agosto de 1968  rumamos para a Asa Norte e entramos na Universidade. Penetramos no gabinete do reitor e, quando íamos anunciar a nossa presença, aconteceu o inesperado.
A situação do país era a pior possível. A tensão social e o clima de descontentamento diante da violência com que as forças de segurança agiam, tinham atingido o  clímax. O exército e a polícia, naquela madrugada, tinham invadido o campus universitário, colocando sob custódia vários estudantes e professores.
Todos foram colocados no pátio central. O justificativa era o cumprimento do mandato de prisão do presidente do Diretório Central dos Estudantes, Honestino Guimarães. A resistência estudantil provocou os atos de violência, os quais foram aumentando no decorrer da manhã.
Os jornais disseram que as agressões praticadas pelos militares, inclusive com  metralhadoras, repercutiram imediatamente no Congresso. A verdade é que só tomamos conhecimento do fato quando a reitoria foi invadida e vimos várias pessoas, aos gritos, sendo perseguidas por soldados fortemente armados.
Ao meu lado, dentre vários estudantes deitados, vi dois ou três banhados de sangue. Um deles chorava e dizia, aos gritos, que tinha sido preso durante a madrugada, e torturado.
Não sei explicar como, mas o fato é que saímos da reitoria.
Quando dei por mim, estávamos nos limites da Universidade, cercados por soldados. Um deles, um oficial do Exército, dirigiu-se para Wilson e indagou o que estávamos fazendo ali, no meio daquele tumulto. Wilson tirou sua carteira de congressista e se identificou, afirmando que éramos deputados federais e que tínhamos sido enviados pela Câmara para verificar a  ocorrência. A mim, felizmente, nada  indagou.
Em seguida advertiu  que nós, por medida de segurança,  não devíamos circular livremente e colocou outro oficial à nossa disposição.
Wilson informou que  nossa missão estava cumprida e que já tínhamos presenciado o bastante. 
Na volta à Praça dos Três Poderes, Wilson Falcão, cunhado de Lourival Batista, governador de Sergipe,  dizia a todo o momento:
-- Eu só pensava em seus pais. Você, filho único, metido em uma confusão como esta !
A invasão da UNB repercutiu no Congresso. Vários discursos foram pronunciados contra o regime militar. Um deles conclamou o boicote aos festejos de 7 de setembro e serviu de pretexto para que fosse baixado o Ato Institucional Número nº5, o mais terrível de todos os Atos Institucionais.
 Assim, lamentando o desastre que foi a tentativa de criar uma Faculdade de Medicina em Feira de Santana, ficamos a espera de outra oportunidade.
Desistir de ver uma Universidade em Feira, nunca !
Pois é, desiludido, decepcionado, perdi o projeto da Faculdade de Medicina de Feira de Santana. Não sei se no desespero daquela manhã, o esqueci na ante-sala do reitor da UNB, não sei se, como aquele viandante, o joguei fora, como se fosse mais uma pedrinha da vida.
De qualquer forma eu me enganei. Aquela pedrinha, talvez jogada no mar da desilusão,  era na verdade um diamante.
Um diamante que iria transformar em realidade o meu sonho de tantos e tantos anos !
É que, no dia 26 de novembro de 1969, às 11 horas da manhã, estando eu ainda atormentado com a morte do meu tio Oscar, Wilson  Falcão me telefonou, perguntando:
-- Geraldo, você tem uma cópia daquele projeto da Faculdade de Medicina de Feira de Santana ? Hoje, às 16 horas, no Palácio de Ondina, temos uma audiência com o Governador Luiz Viana Filho. Seria bom leva-lo para apreciação.
Ao chegarmos ao Palácio, dissemos ao governador que o projeto não estava em nossas mãos, o que não importava muito porque na verdade nosso desejo não era uma Faculdade de Medicina mas uma Universidade. O governador, aquele homem de visão ampla e objetiva, aquela inteligência viva que enxergava longe, interrompeu nossa exposição e indagou:
-- Porquê não ? Vamos pensar alto, Feira merece. Vamos criar uma Universidade, uma Universidade Estadual.
Eu olhei para Wilson, Wilson olhou para mim, parecíamos estar sonhando. Aquele encontro era real ?  Balbuciamos mais ou menos o seguinte:

-- É verdade, Goverandor. Este é o nosso objetivo, este é o sonho de todos os feirenses. Feira merece uma Universidade !
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Três dias depois, em 29 de novembro de 1969, o Diário Oficial publicou o decreto nº 21.583, de 28 de novembro, dispondo sobre a instalação da Fundação Universidade de Feira de Santana. O aludido decreto, no seu artigo 4º, constituía uma comissão composta pelos senhores Joaquim Vieira de Azevedo Coutinho Neto, Geraldo Leite e Maria Cristina de Oliveira Menezes, para elaborar o ante-projeto para implantação da Fundação.
E assim nasceu a Universidade Estadual de Feira de Santana.