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By Ferramentas Blog

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

186- SERGIPE: JOSÉ ALOÍSIO DE ANDRADE


JOSÉ ALOÍSIO DE ANDRADE

                                                                                    *

Nasceu em Japaratuba no dia 29 de abril de 1913, sendo seus pais Manuel Durval de Andrade e Marcia Maciel Andrade.
Estudou os preparatórios no Colégio Atheneu Sergipense e ingressou na Faculdade de Medicina da Bahia em 1932, sendo por ela diplomado no dia 15 de dezembro de 1937.
Foram seus colegas de turma outros sergipanos ilustres: Augusto Franco, Lauro Porto, Adalberto Dantas e Clovis Conceição.
Foi diretor do Serviço de Sífilis e Doenças Venéreas da Secretaria de Saúde de Sergipe, diretor do Departamento de Saúde da mesma Secretaria e Superintendente do Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Comerciários (IAPC).
Em 1951, realizou, no Rio de Janeiro, vários cursos de pós-graduação na áreas de cardiologia, radiologia e gastroenterologia.
É sócio fundador da Sociedade Médica de Sergipe.
Lecionou as disciplinas História Natural e Higiene no Colégio Estadual de Sergipe e é patrono da Cadeira 22 da Academia Sergipana de Medicina.
Faleceu em 1994.


FONTES BIBLIOGRÁFICAS:
Batista e Silva, Henrique – História da Medicina em Sergipe. Aracaju, 2007.
Menezes Portugal –Discurso de posse na Cadeira 22 da Academia Sergipana de Medicina. Aracaju, 2007.

MÉDICOS ILUSTRES DA BAHIA E DE SERGIPE
Biografias de médicos de Sergipe .............................................. 186
Biografias de médicos da Bahia ................................................. 417
Total .........................................................................................   603

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

185- SERGIPE : JOSAPHAT DA SILVA BRANDÃO


COLÉGIO ATHENEU, ARACAJU (ANTIGO ATHENEU SERGIPENSE)

                                                                                         *

Nasceu em Estância no dia 24 de outubro de 1880, sendo seus pais Benjamin Francisco Brandão e Maria Philomena Brandão.
Realizou os preparatórios em Aracaju, no Ginásio Sergipense, do Prof. Alfredo Montes.
Diplomou-se pela Faculdade de Medicina da Bahia, em maio de 1902, quando defendeu tese inaugural sobre micetoma.
Diplomado, regressou para Estância, onde foi inspetor de higiene e inspetor de ensino.
Mudou-se para Aracaju e foi comissionado para combater a varíola em Laranjeiras.
Em 1912, tornou-se diretor do Atheneu Sergipense, cargo que exerceu até 1916.
De 1913 a 1915, foi médico da Prefeitura Municipal de Aracaju.
Professor vitalício de Física e Química Aplicada na Escola Normal (desde 1916) e membro efetivo do Conselho Superior de Ensino (1922).
Faleceu em Aracaju, no dia 22 de agosto de 1969.

FONTE BIBLIOGRÁFICA:
Guaraná, Armindo –Dicionário Biobibliográfico Sergipano . Rio de Janeiro, 1927.

MÉDICOS ILUSTRES DA BAHIA E DE SERGIPE
Biografias de médicos de Sergipe ......................................... 185
Biografias de médicos da Bahia ............................................ 417
Total ...................................................................................     602
Visitas no dia de ontem ........................................................  200
Visitas no mês passado .....................................................   4768
Visitas de janeiro de 2011 até 7 de fevereiro de 2012 ....  61577
Países dos visitantes .....................................................           41

184-SERGIPE: JOÃO MOREIRA DE MAGALHÃES


CATEDRAL DE ESTÂNCIA, SERGIPE

                                                                                        *

Nasceu em 31 de janeiro de 1855 em Estância, sendo seus pais Joaquim Moreira de Magalhães e Emília de São Calixto Magalhães.
Concluídos os preparatórios, ingressou na Faculdade de Medicina da Bahia, sendo por ela diplomado em 1877, quando defendeu tese sobre “Juízo crítico e  farmacêutico dos preparados denominados extratos”.
Exerceu a profissão em diversas cidades sergipanas, mudando-se em seguida para Manaus, no Estado do Amazonas, onde foi inspetor de Saúde do Porto e diretor da Instrução Pública, no ano de 1890.
Seis anos depois, em 1896, foi inspetor escolar no Rio de Janeiro e diretor médico da Companhia de Seguros de Vida Sul América.

FONTE BIBLIOGRÁFICA:
Guaraná, Armindo – Dicionário Biobibliográfico Sergipano. Rio de Janeiro, 1927.

MÉDICOS ILUSTRES DA BAHIA E DE SERGIPE
Biografias de médicos de Sergipe .......................................................... 138
Biografias de médicos da Bahia ............................................................. 417
Total ..................................................................................................... 601
Visitas no dia de ontem ..........................................................................200
Visitas no mês ......................................................................................4764
Visitas de Janeiro 2911 a 07 de fevereiro de 2012 ..............................61573
Países de ondem procederam as visitas ...............................................      43

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

183- SERGIPE: JOSÉ DE BARRIS PIMENTEL

JOSÉ DE BARROS PIMENTEL – CANÁRIO DE SERGIPE, ROUXINOL DO BRASIL
 O ROUXINOL


Geraldo Leite

É de todos sabido que Armindo Guaraná elevou Sergipe, divulgando traços biográficos e a produção literária e científica de sergipanos ilustres.
Através do seu “Dicionário Biobibliográfico Sergipano”, homens como Tobias Barreto, Silvio Romero, Fausto Cardoso, Gumercindo Bessa, Martinho Garcez, João Ribeiro, Manoel Bonfim, Felisbelo Freire, Gilberto Amado, Jackson de Figueiredo, e muitos outros, conquistaram  o lugar merecido na memória nacional.
Prefaciando o “Dicionário, Biográfico de Médicos de Sergipe”, de autoria de Antônio Samarone de Santana, Lúcio Antônio Prado Dias e Petrônio Andrade Gomes, disse Luiz Antônio Barreto que “a grandeza intelectual de Sergipe suplanta a pequenez do seu território e que a autonomia do seu pensamento rompe com a submissão e a dependência que a história lhe impôs, no curso do tempo” (1).
Para aquele jornalista e escritor, o mostruário de Armindo Guaraná glorifica a diversidade intelectual dos sergipanos, notadamente dos esculápios, pois muitos médicos estão entre as personalidades  biografadas.
Do elenco de tão nobres personalidades, é justo destacar o Dr. José de Barros Pimentel, nascido em Maruim, a 17 de maio de 1817.
Seus pais foram D. Maria Victória de Almeida Barros e o Coronel José de Barros Pimentel (personalidade ilustre que teve importante papel nos acontecimentos que culminaram com a independência de Sergipe).
Estudou medicina em Paris, onde também realizou parte do curso de Direito e foi contemporâneo de outros ilustres brasileiros que estudaram na capital francesa: o Visconde de Sinimbu, o Conselheiro João Manuel Pereira da Silva e o famoso médico maranhense José da Silva Maia.
Recebeu o grau de doutor em medicina no ano de 1841.
Regressando ao Brasil, no ano seguinte, entrou nas lides políticas.
Foi Secretário do Governo Provincial e, logo depois, deputado à Assembléia Geral Legislativa do Império.
Exerceu o mandato de deputado por longo tempo. Nenhum outro parlamentar conseguiu  ser eleito tantas vezes. Tendo vencido as eleições para a legislatura de 1843-1844, foi reeleito para os mandatos de 1845-1847, 1857-1860, 1864-1866 e 1867-1870, além de, no interregno de tais mandatos, ser eleito tanto para  a Assembléia Provincial quanto para a Assembléia Estadual..
“Perfeito parisiense, vestido rigorosamente à moda do tempo, calças amarelas e colete de botões dourados, com um timbre de voz sonoro e um tanto estridente, fora apelidado  “o canário de Sergipe”, por causa da cor do traje e do som de sua palavra fácil e cadenciada” (Armindo Guaraná, obra citada).
Da mesma fonte é o registro seguinte: “Do grupo em destaque dos moços distintos da Câmara, diz Joaquim Nabuco no seu livro “Um estadista do Império”, referindo-se à sessão legislativa de 1843, “era o Benjamim da plêiade, lembrando Lord Randolf Churchil principalmente, exasperando o banco ministerial com seu talento, sua petulância, seus golpes pessoais. Assíduo freqüentador da tribuna, discutia com vantagem as diversas questões políticas, revelando no desenvolvimento de suas idéias a habilidade e critério de um argumentador consumado.”.
O deputado Ângelo Ferraz, futuro Barão de Uruguaiana disse, na sessão de 30 de dezembro de 1844, da Assembléia Nacional, que o reputava o rouxinol do Brasil (Ibidem).
Nos embates provocados pelos movimentos revolucionários de São Paulo e Minas Gerais, em 1842, pairando acima do exagero das emoções, mostrou ser um político conciliador e tolerante mas, em abril de 1864, por ocasião das depredações e atrocidades praticadas contra brasileiros que moravam no Uruguai, foi aguerrido e exaltado, concitando o Governo a declarar guerra àquela nação.
A República o encontrou em idade avançada e em pleno declínio de sua carreira política.
Homem de iniciativa, fundou, dirigiu o Banco da Bahia.
Foi sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e pertenceu a outras instituições.
Foi condecorado com o oficialato da Ordem da Rosa e colaborou com jornais de Aracaju e do Rio de Janeiro.
Faleceu na capital federal, no dia 6 de maio de 1893, com 76 anos de idade.

FONTE BIBLIOGRÁFICA:
Guaraná, Armindo - Dicionário Biobibliográfico Sergipano. Rio de Janeiro, 1927.
MÉDICOS ILUSTRES DA BAHIA E DE SERGIPE
Biografias de médicos de Sergipe ............................................................. 183
Biografias de médicos da Bahia ................................................................ 417
Total .......................................................................................................... 600
Visualizações, hoje ................................................................................... 124
Visualizações, ontem ...............................................................................  127
Visualizações, no mês passado .............................................................  4757
Total de visualizações, até hoje ..........................................................  61440 
Número de países que asseram ..........................................................       34  



 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

domingo, 5 de fevereiro de 2012

182- SERGIPE: JOSÉ DANTAS DE SOUZA LEITE


 
SANTA LUZIA DO ITANHY - Cidade com uma população de aproximadamente 10.912 habitantes sendo, 5.646 do sexo masculino e 5.266 do sexo feminino. Faz parte do Estado de Sergipe, com cerca de 336 kilômetros quadrados de área. Possui uma densidade populacional de quase 32.48 habitantes por Km quadrado.
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UM SERGIPANO NASCIDO EM SANTA LUZIA DE ITANHY, NA SALPETRIÈRE

Geraldo Leite


O hospital da Salpêtriére  é um hospital de Paris, construído no século XVII para ser uma fábrica de pólvora. Daí o nome,  salpêtre, isto é, salitre, em português.
Salitre, como todos sabem, é um ingrediente necessário para a fabricação da pólvora.
O prédio, alguns anos depois, foi transformado em um local de ajuntamento de pobres, mendigos e marginais, prostitutas, doentes mentais, criminosos insanos e epilépticos.
Tomado pela multidão, durante a Revolução Francesa, foi transformado em asilo e hospital psiquiátrico para mulheres.
Um dos professores mais famosos desse hospital foi Jean Martin Charcot, pai da neurologia moderna. Suas aulas, proferidas nas enfermarias do hospital, contribuíram para esclarecer a história natural e a fisiopatologia de várias doenças, tais como a neurossifilis, a epilepsia e o acidente vascular cerebral.
No momento atual Salpetrière é parte de um complexo universitário dedicado a várias especialidades médicas.
Nesse hospital, no final do século XIX, ao lado do Prof. Charcot, trabalharam Axel Munthe, outros médicos famosos e José Dantas de Souza Leite, sergipano, nascido na vila de Santa Luzia de Itanhi, a dois passos da cidade de Estância.
Axel Munthe, cujo nome verdadeiro é Axel Martin Fredrik Munthe, nasceu em Oskarshamn (Suécia) em 31 de outubro de 1857 e faleceu em Estocolmo, em 11 de fevereiro de 1949. Foi um médico psiquiatra e escritor famoso, autor de “O livro de San Michele”, publicado em 1929 e considerada uma obra prima da literatura contemporânea.
Filantropo e amigo dos animais, Axel Munth estudou nas Universidades de Upsala, Montpellier e Paris, doutorando-se no ano de 1880.
Impressionado com os estudos de Charcot, Munth se aproximou do mestre, foi pessoa de sua confiança e assistiu suas aulas, no Hospital Salpêtrière. Exerceu a medicina em Paris e em Roma. Depois, tornou-se médico oficial da Família Real da Suécia.
José Dantas de Souza Leite é filho de Santa Luzia de Itanhi, sendo seus pais José Sizenando Leite e Francisca Dantas de Souza Leite.
Recebeu o grau de doutor em medicina pela Faculdade de Medicina da Bahia em 1881, quando defendeu tese sobre “Herança mórbida”, na qual abordou os problemas dos casamentos consangüíneos e o método anti-séptico de Lister.
Formado, seguiu para Paris, onde também recebeu o grau de doutor e obteve, por concurso, o lugar de externo do Hospital de Salpêtrière. Sua tese, apresentada  à Faculdade de Medicina de Paris,versou sobre “Etudes de pathologie nerveuse de la acromegalie”.
A acromegalia, também conhecida como “Doença de Pierre Marie”, era uma entidade mórbida recentemente reconhecida por Pierre Marie, discípulo dileto de Charcot.
Submetendo-se a novo concurso para interno, em 1886, obteve excelente colocação, pelo que foi encarregado de um Serviço no Hospital de Vaucluse. Depois, serviu no Hospital Saint Anne.
Finalmente, voltou para o Hospital de Salpetrière, onde trabalhou com o professor Charcot, sob cuja orientação concluiu seus estudos sobre doenças do Sistema Nervoso.
Discípulo de Charcot e seu admirador, traduziu uma  obra sobre  histeria, intitulada, em português, “Novos estudos sobre a histeria; ataques de sono; histeria traumática, tóxica; ticos e ruídos traumáticos: hipnotismo”.
Charcot, ao tomar conhecimento da tradução, endereçou a Souza Leite uma carta de agradecimento, relíquia que o epigrafado guardou até o fim da vida, com muito carinho.
Em 1887, regressando da Europa depois de cinco anos em Paris, Souza Leite fixou residência no Rio de Janeiro onde exerceu a clínica com  competência e muito sucesso.
Em 1888, publicou um livro de sua autoria, sobre doenças nervosas, bem como uma obra notável, sobre acromegalia, também assunto de sua tese apresentada à Faculdade de Medicina de Paris. A obra mereceu comentários, críticas e elogios.
Vale registrar que, muitos anos depois, Humberto de Campos foi acometido de um tumor da hipófise e, conseqüentemente, de acromegalia...
Souza Leite colaborou em vários periódicos europeus, dos quais destacamos: “Progrés Medicale”,  “Revue de Medicine”,”Comptes rendus de la Societé de Biologie” e “Annales Médico-Psichologiques”.
Escreveu:
--Herança mórbida (tese de doutoramento, apresentada à Faculdade de Medicina da Bahia, em 1880).
--Cas d´hysterie dans lequel lês attaques sont marqueés par une manifestaction rare-éternuments.
--Notes pour servir a l´etude dês relations et de l´influence reciproque de l´epilepsie ou de l´hyponisme avec rhumatisme articulaire augu.
--Estudos sobre os sinais precursores das perturbações nervosas na infância, pelo Dr. Ch.Feré, médico do Hospício de Bicetre em Paris.
--Sobre um caso de afasia motora funcional em uma menina de 11 anos de idade.
--Pathologie nerveuse. Reflexions a propôs de certaines maladies nerveuses obsrvées dans la ville de  Salvador (Brésil)
--Novos estudos sobre a histeria; ataques de sono; histeria traumática, tóxica; ticos e ruídos traumáticos: hipnotismo (de autoria de J.M.Charcot).
--Etudes de pathologie nerveuse avec une lettre Du Dr. P.Maarie
--De l´acromegalie, maladie de P. Marie (tese de doutoramento, apresentada à Faculdade de Medicina de Paris).
--Leçon sur l´acromegalie.
--Nouvelle contribuition à l´anatomie patologique et à la patogenie de l´acromegalie.

FONTES BIBLIOGRÁFICAS:

1-Bittencourt, Liberato – Homens do Brasil – Sergipe. Rio de Janeiro, 1917.
2-Guaraná, Armindo – Dicionário Bibliográfico Sergipano. Rio de Janeiro, 1927.


sábado, 4 de fevereiro de 2012

181- SERGIPE: JOSÉ ANTÔNIO DE ABREU FIALHO

 
ABREU FIALHO

                                                                                   *
José Antônio de Abreu Fialho nasceu em Aracaju, no dia 20 de janeiro de 1874, sendo seus pais Tito de Abreu Fialho e Maria José de Abreu Fialho.
Realizou os preparatórios no Imperial Colégio Pedro II, ingressou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e por ela foi diplomado em 16 de janeiro de 1897.
Sua tese de doutoramento, apresentada em 31 de outubro, versou sobre “A oculística perante a patologia: perturbações oculares nas moléstias cerebrais” e constitui um  marco na história da oftalmologia brasileira.
Ainda estudante, de 1891 a 1896, foi auxiliar do Instituto Vacínico Municipal do Rio de Janeiro e interno do Hospital Geral da Santa Casa (ambos os cargos conquistados por concurso).
Um ano após a formatura, foi nomeado, mediante concurso, professor substituto da clínica de moléstias dos olhos da Faculdade de Medicina, ocasião em que defendeu tese sobre  “Estudo físico-clínico da nutrição ocular”.
Na mesma ocasião, foi nomeado médico oftalmologista dos hospitais da Sociedade Portuguesa de Beneficência, da Santa Casa de Misericórdia, da  Penitenciária Estadual e do Hospital São Francisco de Paula.
Em 1901 e 1902 permaneceu na Europa, onde freqüentou o mais conceituado centro de oftalmologia do Velho Continente, a Clínica Fuchs, localizada na capital vienense.
Ao regressar ao Brasil, foi  considerado o mais destacado oftalmologista do país.
Sua biblioteca atingiu tais proporções que ocupou todos os cômodos de sua residência, transformando-se em sério problema para a convivência com a família.
Em 22 de novembro de 1906 assumiu a cátedra de Oftalmologia. Sylvio Abreu Fialho, em seu livro “Páginas Viradas”, relata que seu pai, no concurso a que se submeteu para a conquista da cátedra, surpreendeu os concorrentes favoritos, isto é, “aqueles cujos nomes granjeavam maior evidência entre as elites. O único trunfo que Abreu Fialho possuía era a enorme confiança no saber acumulado nas vigílias do estudo em que se haviam consumido as melhores horas da sua mocidade” (1).
Professor de invejáveis qualidades, realizou vários melhoramentos em sua cátedra, transformando-se em verdadeiro ídolo para  alunos, colegas  e clientes.
Em 1907 foi comissionado para nova viagem de estudos à Europa, ocasião em que freqüentou hospitais de Berlim, Paris, Viena e outros  centros científicos.
Além de catedrático da Faculdade de Medicina (da qual foi, por 4 anos, operoso diretor), fundou e presidiu a Sociedade Brasileira de Oftalmologia, foi vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cultura Alemã, membro titular de várias instituições científicas tais como o Instituto Histórico do Ceará, o Instituto Histórico de Sergipe, o American Colege of Surgeons  e várias outras, de São Paulo e de outros estados do Brasil.
Colaborou com diversos periódicos do Brasil e do exterior, notadamente nos anais da Academia Nacional de Medicina e da Academia Brasileira de Medicina Militar, no Brasil Médico e em outras revistas de medicina.
Foi escritor notável, sobretudo de fábulas, pelo que mereceu elogios de Anastásio Bonsucesso e de outros mestres daquele gênero literário.
Além das letras vernáculas, incursionou com sucesso na literatura hispânica, sendo, inclusive,  vice-presidente da Casa de Cervantes.
Dominando várias línguas, lia autores estrangeiros no original, especialmente alemães, tendo publicado trabalhos no idioma germânico e presidir a Sociedade Brasileira de Cultura Alemã.
Sua clínica foi a maior do Rio de Janeiro. “Por aproximadamente quarenta anos, a despeito de suas intensas e múltiplas atividades, Abreu Fialho manteve repleto o seu consultório na Rua dos Ourives. Estima-se que atendeu, em toda a sua vida médica, cerca de quatrocentos mil clientes, divididos entre a sua clínica e o hospital, de várias raças e nível sócio-econômico, oriundos de vários lugares” (2).
Assinala Almeida que “Abreu Fialho era capaz de extrair um sorriso de todos, inclusive dos mais carrancudos clientes!”. E acrescenta: “Permitam-me narrar um interessante episódio, testemunhado pelo seu filho Sylvio, quando Abreu Fialho enfrentou o paciente mais casmurro de sua carreira. Tratava-se de um padre taciturno, que insistia em responder monossilabicamente as questões. A consulta chegava praticamente ao fim e o sacerdote não cedia espaço para conversação, prosseguindo na sua atitude de misantropo. O médico parecia derrotado; finalmente, seu lema havia falhado. Eis que o célebre oftalmologista começa a costumeira receita. Mas, ao entregá-la ao padre, o sacerdote abre um largo sorriso: estava escrita em latim! E, coincidentemente, ambos haviam tido o mesmo professor no Imperial Colégio D. Pedro II, o que lhe permitiu encetar um amistoso colóquio” (Ibidem).
Apesar de ter passado toda a sua vida profissional no Rio de Janeiro, Abreu Fialho não esqueceu seu torrão natal. “Em meio aos seus livros e às peças de decoração – diz Marco Almeida – constava, vejam só! O mapa de Sergipe” (2). E mais, do mesmo autor: “A alma sergipana esteve sempre presente na vida e obra de Abreu Fialho. A guisa de exemplo,e apesar de sua civilidade cosmopolita, ele sempre manteve o hábito de ler ao suave embalo de uma rede. Foi também presidente do Centro Sergipano (com sede no Rio de Janeiro, então capital federal), tendo feito nostálgicos louvores à sua terra em vários discursos. Em um deles, assim se pronunciou: “No minúsculo Sergipe bebi eu os primeiros ares de vida, e vivi por alguns anos nesse saudoso rincão do Norte, terra adorada, que já hoje mal entrevejo através das neblinas das lentes, tão longe dela estou pelo tempo que lá se foi” (Obra citada).
Apesar disso, por ocasião da sucessão de Graco Cardoso no governo de Sergipe, o presidente Arthur Bernardes ( que presidiu o Brasil de 1922 a 1926) procurando um sergipano ilustre não envolvido com as lutas políticas do seu estado, lembrou-se do professor Abreu Fialho o qual, de imediato, não aceitou o cargo, oferecendo como justificativa o fato de “não conhecer Sergipe,  pois de Sergipe se afastou há muitos anos” (4). Anos mais tarde, Sylvio Fialho, filho do epigrafado, assim explicou: “Meu pai não nasceu para apajear poderosos ao troco de honrarias” (1).
O lema de Abreu Fialho, repetido em várias ocasiões, era: “Lutar para viver, resistir, persistir, triunfar ou ser vencido com honra e dignidade, vivendo alerta, abraçado com a própria vida”.
Sua bibliografia, por demais extensa, está relacionada - pelo menos no que ela tem de mais importante - no Dicionário Bibliográfico Sergipano, de Armindo Guaraná.
O grande sergipano faleceu no Rio de Janeiro, no dia 18 de março de 1940, ocasião em que recebeu o tributo de seus amigos, colegas, clientes e admiradores.

BIBLIOGRAFIA:

Abreu Fialho, Sylvio – Páginas Viradas. Rio de Janeiro, 1967.
Almeida Santos, Marcos  Antônio – Discurso de posse na Academia Sergipana de Medicina. Aracaju, 2007.
Guaraná, Armindo – Dicionário Bibliográfico Sergipano. Rio de Janeiro, 1927.
Samarone de Santana, Antônio – José Antônio de Abreu Fialho. Aracaju, 2006.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

180- XSERGIPE: JOSÉ MACHADO DE SOUZA


JOSÉ MACHADO DE SOUZA

                                                                                         *

Nasceu em Aracaju, no dia 22 de janeiro de 1912, sendo seus pais Gervásio de Araújo Souza e Laura Machado Souza.
Ingressou na Faculdade de Medicina da Bahia em 1929. Após os primeiros anos do curso médico, foi transferido para a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, pela qual foi diplomado em 26 de novembro de 1934 (Para Batista da Silva, obra citada, em 17 de novembro de 1934...).
Formado, fixou residência em Aracaju, onde se destacou como destacada pediatra.
Como pediatra, trabalhou na Maternidade Carlos Firpo, no Departamento de Saúde Pública de Sergipe, no Preventório São José, no Hospital de Cirurgia e em outros nosocômios e instituições assistenciais da capital sergipana.
Lecionou em cursos de Higiene Infantil, Pediatria e Puericultura realizados em Aracaju, por diversas entidades médicas, dnos anos de 1941 a 1962.
Professor de Puericultura da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Federal de Sergipe, fundador e presidente da Sociedade Médica de Sergipe e da Sociedade Sergipana de Pediatria.
Vice-Governador de Sergipe, Secretário Estadual de Saúde, fellow da American Academy of Pediatrics, diretor do Hospital Infantil, e do Hospital Santa Isabel.
Homem de grande prestígio e de princípios éticos e morais inabaláveis.
É considerado o pai da pediatria sergipana e um dos vinte médicos mais importantes do estado, no século XX.

FONTES BIBLIOGRÁFICAS:
Barreto, Luis Antônio –José Machado de Souza.  Aracaju, 2004.
Batista e Silva, Henrique – História da Medicina em Sergipe. Aracaju, 2007.
Prado, Lúcio do – Os vinte maiores médicos sergipanos do século. Aracaju, 2006.
4. Prado, Lúcio do – Nossos grandes pediatras. Aracaju, 2006.

MÉDICOS ILUSTRES DA BAHIA E DE SERGIPE
Biografias de médicos de Sergipe ...................................... 180
Biografias de médicos da Bahia ......................................... 417
Total .................................................................................    597
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ACADEMIA VAI COMEMORAR O CENTENÁRIO DE DR. MACHADO
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De comum acordo com os familiares do saudoso pediatra sergipano, a Academia Sergipana de Medicina vai celebrar o seu centenário de nascimento, em sessão solene na sede da Somese, que acontecerá em 21 de março de 2012. Deverá fazer a saudação ao ilustre médico e professor José Machado de Souza, patrono da cadeira 37 da ASM a acadêmica Geodete Batista Costa, ocupante da referida acadêmica. Neste domingo, 22 de janeiro, a família do Dr. Machado, manda celebrar Missa em Ação de Graças às 10 horas, na Igreja São José.