METEORO LUMINOSO, FULGURANTE E BELO
(SAUDAÇÃO À MEMÓRIA DA PROFESSORA MARIA THERESA DE MEDEIROS PACHECO, PROFFERIDA PELO ACADÊMICO GERALDO LEITE NA ACADEMIA DE MEDICINA DA BAHIA)
MARIA THERESA E LUIZ LEAL
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Em seus cinquenta e três anos, esta Academia incorporou cento e trinta e uma personalidades, das quais apenas três do sexo feminino.
As portas da Bahia, no entanto, sempre estiveram abertas ao sexo divino.
Além de Moema e Catarina Paraguaçu, várias mulheres tornaram a nossa terra mais encantadora e culta. Sirvam de exemplos Amélia Rodrigues, Georgina Erismann, Henriqueta Catarino, Carmem Mesquita, Helena Assis, Anfrísia Santiago e outras.
Pelo menos, dois trios podem ser acrescentados. Do primeiro participam, segundo Renato Simões, Joana Angélica, Maria Quitéria e Irmã Dulce. Do segundo, Rita Lobato, Francisca Práguer Fróes e Maria Theresa de Medeiros Pacheco.
Joana Angélica e Maria Quitéria, imolaram suas vidas no altar da pátria.
Irmã Dulce, dedicou sua existência aos pobres, aos doentes e aos desprotegidos.
Rita Lobato, deu à Bahia o privilégio de diplomar a primeira médica do Brasil.
Francisca Práguer Fróes, lutou contra as limitações impostas ao belo sexo.
Carmem Mesquita, foi a primeira professora desta Faculdade.
Anfrísia Santiago, fez da educação um sacerdócio.
Helena Assis, foi, no dizer do poeta, “um cenário de virtudes diferenciadas”.
Maria Theresa de Medeiros Pacheco foi a primeira legista do Brasil; a primeira mulher a ser admitida nesta Acadamia, e sua única Presidente; a primeira mulher a dirigir um Instituto de Medicina Legal; a primeira diretora de um Departamento de Polícia Técnica; a primeira mulher a assumir todas as cátedras de Ética Médica, Medicina Legal e Bioética, existentes na Bahia.
Não nasceu entre nós, nem precisaria, pois há baianos de todas as partes. Parodiando Jorge Amado, posso dizer que há baianos nascidos no Amazonas, como Álvaro Rubim de Pinho; há baianos nascidos no Maranhão, como Nina Rodrigues; há baianos nascidos na Paraiba, como Lafaiete Coutinho; há baianos nascidos em Pernambuco, como Barros Barreto; há baianos nascidos nas Alagoas, como Estácio de Lima Lamartine Lima e Maria Theresa; há baianos nascidos em Sergipe, como Aranha Dantas, José Calazans e Anita Franco; há baianos nascidos em Portugal, como Otto Wucherer e Silva Lima; há baianos nascidos na Escócia como Patterson; há baianos nascidos na Inglaterra, como Jonathas Abbot; há baianos nascidos em alto mar, como Remédios Monteiro.
Maria Theresa nasceu em Alagoas, e aqui aportou na última década dos anos quarenta, logo após a Segunda Guerra Mundial.
Naquela época, as mulheres do Ocidente deixaram o lar e se tornaram enfermeiras no campo de batalha, ou operárias, nas fábricas de artefatos de guerra.
Impulsionada pelo exemplo magnífico das mulheres que, além de serem patriotas, alargaram seus direitos civis e sociais, Maria Theresa ingressou nesta Faculdade, dela saiu, após brilhante tirocínio, com o diploma de bacharel em Medicina.
Especializou-se em Ginecologia e Obstetrícia e como ginecologista e obstetra permaneceu, até que, atraida pelo Professor Estácio de Lima entregou-se, de corpo e alma, à Medicina Legal.
Desabrochou como se fosse uma flôr encantadora e bela, e se transformou na primeira médica legista do Brasil.
Presidiu a Sociedade Brasileira de Medicina Legal e rumou para a Europa, a fim de realizar estágios nas instituições médico-legais do Velho Mundo.
Regressando a Salvador, candidatou-se à Livre Docência e conquistou todas as cátedras de Medicina Legal existentes na Bahia.
Foi diretora do Instituto Nina Rodrigues e acumulou, durante vários anos, a diretoria daquele Instituto e a do Departamento de Polícia Técnica, fato inédito no universo feminino.
Pontificou na Academia da Polícia Militar; foi a primeira mulher a ser acolhida na Academia de Medicina da Bahia, e foi sua primeira presidente; dignificou várias instuições científicas, filantrópicas e sociais e presidiu a Fundação José Silveira, onde sua lembrança continua viva, bem viva, na memória dos pacientes, dirigentes e colaboradores.
Idealizou o Complexo da Polícia Técnica da Bahia, o maior do Brasil, o qual -- por feliz decisão do poder público ostenta seu honrado nome.
Tornou-se um ícone da Medicina.
Cumpriu sua missão, encantou a Bahia e se imolou na chama do ideal . Atendeu ao chamado divino e, no dia 12 de maio de 2010, se ausentou para sempre.
Vencendo o impacto da sua ausência, agradeço aos que me ouvem e, com o mais profundo pezar afirmo: Maria Theresa de Medeiros Pacheco foi um meteoro fulgurante e belo que iluminou o ceu da Bahia durante mais de meio século !!!
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