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By Ferramentas Blog

domingo, 13 de fevereiro de 2011

246- LUIZ DE OLIVEIRA NEVES

246- LUIZ DE OLIVEIRA NEVES
HOSPITAL ARISTIDES MALTEZ
SALVADOR, BAHIA
*
Lutou, em companhia de  alguns companheiros, para a edificação do Hospital Aristides Maltez, referência nacional da luta contra o câncer.
Diplomado em 1951, pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia, passou a dirigir o referido hospital, ainda inacabado, procurando, a todo custo, dar condições para seu funcionamento.
“Para isso, ei-lo a convocar jovens para a implantação de um projeto novo, mesclando a estrutura física do que se conhecia, como opção de trabalho, com a busca de extrema funcionalidade dos serviços. Ali, naquele hospital, que foi canteiro de sua vida, brigou pelo êxito da instituição, desvelando-se no auxílio fraterno, desde as inúmeras reuniões que presidia – de senhoras da sociedade, de estudantes e de médicos, além das reuniões administrativas – na trincheira da luta pela sobrevivência do seu ideal, sempre prestando contas a todos, de tudo que foi empreendendo no curso da vida” (Castro Ribeiro, obra citada).
A esse médico, jovem e quase recém-formado, a Bahia deve  admiração e respeito.
Fundou o primeiro serviço de prevenção do câncer ginecológico, de modo a servir de exemplo para a instalação de idênticos serviços na Bahia e no Brasil.
Líder inconteste, estimulou, de modo admirável, novas vocações para o ensino e aprendizagem da oncologia, recrutando estagiários em todo o país, e até no exterior.
“Desde então, atento à adução da ciência e de seu tempo, instou por desvincular a prática da mastologia do capítulo da Ginecologia, como já se dava em países da Europa e dos Estados Unidos, e instalou o primeiro serviço especializado no Hospital Aristides Maltez, em 1956, sob sua  inspiração,  sendo ali reconhecido como o primeiro mastologista.
 Quantos serão os que a ele devem a iniciação,  proveito e renome?” (Ibidem).
Foi pioneiro, na Bahia, no estudo da citologia dos fluxos papilares.
Presidiu o I Congresso Brasileiro Brasileiro de Cancerologia, realizado na Salvador, no ano de  1960.
Participou e incentivou inúmeros eventos culturais e científicos e fez parte do várias instituições, no âmbito de sua especialidade.
Publicou mais de duas dezenas de  trabalhos científicos e passou à história  como exemplo de um profissional estudioso e abnegado.
Depois de algum tempo na Bahia, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde continuou a  luta contra o câncer.
Faleceu precocemente, deixando imenso vazio no seio da classe médica.

FONTES BIBLIOGRÁFICAS:
Castro  Ribeiro, Lair  Barbosa  de   Luis   de  Oliveira Neves. Disponível em http://www.sbcancer.org.br/final/homenagens.asp.       Acesso  em  13  de novembro de 2009.
APÊNDICE I
DEPOIMENTO DE LAIR BARBOSA DE CASTRO RIBEIRO
(Disponível em
VISITA AO HOSPITAL ARISTIDES MALTEZ
SALVADOR, BAHIA
*
“Não sou dos que acreditam que a morte redime o homem, modificando-lhe os traços significativos de toda uma vida. Nem para um bom ou mau julgamento. Quando muito, a morte, que o tempo converte em lembrança saudosa... e cada vez menos dolorosa, resgata a memória dos homens pelo que construíram na vida, com o saldo, positivo ou negativo entre acertos e erros de suas ações. Assim relembro Luiz de Oliveira Neves, com quem convivi na fecunda labuta dos Hospitais e no plano das inúmeras outras atividades, como médico e estudioso, dedicado ao ofício de curar, num intercâmbio diário de experiências, que não deixou espaço para retratá-lo com fantasia !
Nem permite deslembrar quem lutou, ao lado de outros, incansavelmente, pela idéia de edificar o Hospital do Câncer, na Bahia. Com efeito, recentemente diplomado (formou-se médico em 1951) e já bem afeito a arte médica o víamos dirigindo o Hospital Aristides Maltez, ainda inacabado, dando à Casa condições de funcionamento, em 1952, quando mal se abriam corredores e alas, materialmente construídas, mas que careciam, no entanto, de devotamento e do calor humano que só os idealistas forcejam por empregar.

Para isso, ei-lo novamente a convocar jovens para a implantação de um projeto novo, mesclando a estrutura física do que se conhecia, como opção de trabalho, com a busca de extrema funcionalidade dos serviços. Ali, naquele Hospital, que foi canteiro de sua vida, brigou pelo êxito da instituição, desvelando-se no auxílio fraterno, desde as inúmeras reuniões que presidia - senhoras da sociedade e da caridade, de estudantes e médicos, além das administrativas - na trincheira da luta pela sobrevivência do seu ideal, sempre prestando contas, a todos, de tudo que foi empreendendo do curso da vida.
A ele se deve muito, sem dúvida, o reconhecimento e a creditação de respeito que o Hospital Aristides Maltez obteve no cenário nacional, na luta contra o câncer, sempre atento ao progresso da medicina para não sofrer o contrapasso da investigação científica. Aqui, recorde-se, fundou o 1º Serviço de Prevenção de Câncer ginecológico, em moldes tais que serviu de referência para a instalação de outros centros, na Bahia e no Brasil, como paradigma.
Também ali, no seu Hospital, abrigou, com invejável capacidade de estimular vocações, o ensino médico especializado em cancerologia, recrutando estagiários de todo Brasil e até do exterior, com treinamento reconhecido pelo nível de excelência.

Desde então, atento à adução da ciência e de seu tempo, instou por desvincular a prática da mastologia do capítulo da Ginecologia, como já se dava em países da Europa e dos EUA, e instalou o primeiro serviço especializado no Hospital Aristides Maltez, em 1956, sob a inspiração única dele, Luiz Neves, sendo ali reconhecido como o primeiro mastologista, também. Quantos serão os que lhe devemos, na Bahia, a iniciação e a especialização médica, com proveito e renome?

Depois, com a evolução dos serviços e do atendimento, foi estudioso pioneiro da citologia dos fluxos papilares. Sempre ele... com trabalho de alto nível, que entregava logo o serviço aos melhores assistentes, aos colegas do melhor aproveitamento, enquanto ele seguia... e saía por aí..., a busca de novas tarefas !
Como esquecer Luiz Neves, idealizador incansável e Presidente do I Congresso Brasileiro de Cancerologia que sucedeu na Bahia, em 1960?! E de outras inúmeras realizações culturais e científicas de que participou, através dos Ministério da Saúde e da Previdência Social, da Sociedade Brasileira de Cancerologia, ou em órgãos e entidades baianas e de outros Estados?!

Como não anotar os trabalhos científicos, vários de seu currículo de estudioso, mais de duas dezenas, todos defendidos em simpósios e congressos, além de publicados?! E daquelas centenas e centenas, de sessões ordinárias, no Hospital Aristides Maltez, onde apresentava trabalhos do Centro de Estudos !!!
Esquecer, quem há de !!
Médico e estudiosos abnegado - um lutador invejável pela conquista dos domínios de sua arte. Um servo do ofício. Um visionário... mas que não fugia, porém, da conciliação com o possível, na busca dos objetivos que exigia e ia conquistando, um a um. Aqui, entre nós, enquanto viveu na Bahia, ou mesmo mais distante, no Rio de Janeiro, onde se radicou, finalmente, com a mesma luta pertinaz.
Não obstante seus méritos, este foi um homem simples por temperamento, extremamente modesto, que não cultivava homenagens... e assim faleceu, com mansidão e quietude, sem louvores.
Esta lembrança, que não é só minha, perpetua a memória dos bons, sirva de exemplo aos mais jovens, que não o conheceram, e resgata o nome de quem, fazendo-se médico e abraçando a profissão com inteireza, foi pioneiro na luta contra o câncer quem, malgrado tudo, não terminou.

Assim foi o homem, o médico, o cientista, o pesquisador Luiz Neves.

O amigo que eu conheci.”

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