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By Ferramentas Blog

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

CIPRIANO BARBOZA BETÂMIO (CIPRIANO BETÂMIO)

CIPRIANO BARBOZA BETÂMIO
(CIPRIANO BETÂMIO)


CÓLERA MÓRBUS



*

Nasceu em Salvador, em 3 de março de 1818, sendo seus pais Jerônimo Barbosa e Cristódia Maria Pires.
Aos vinte e três de idade, matriculou-se na Faculdade de Medicina da Bahia, pela qual foi diplomado em 1847.
Exercendo a clínica como modesto profissional, e dirigiu um pequeno colégio, até 1855.
Em agosto daquele ano, irrompeu no Brasil, grave epidemia de cólera morbus, a qual alastrou-se rapidamente por quase todas as províncias do país.
Na Bahia, a situação mais grave era a de Santo Amaro da Purificação. “Serpenteando a capital, zigzagueando pelo sertão, pelo Recôncavo, pelo interior, a epidemia em pouco se alastrou, de modo a tornar temerosos todos os ânimos, todas as almas aflitas” (Sá).
O governo tomou as providências cabíveis, mas a terrível doença, em meados de agosto, ameaçava de extinção Santo Amaro e redondezas.
O pânico dominou todos os habitantes. Os médicos negaram seus serviços, as autoridades desertaram seus postos, os escravos fugiram apavorados, os engenhos de açúcar fecharam suas portas, os maridos largaram as mulheres, as pais abandonaram os filhos e os cadáveres, às centenas, ficaram amontoados nas ruas.
Ao tomar saber do sofrimento daquele povo preso ao pavor coletivo, apresentou-se espontaneamente ao presidente da província, para prestar seus serviços profissionais, o Dr. Cipriano Betâmio, médico que não exercia nenhuma função pública.
Ao comparecer diante do presidente, disse : “Senhor Presidente, fique certo que vou trabalhar sem descanso, vou tomar a dianteira dos trabalhos mais arriscados; não me lembrarei de minha vida, nado exijo em recompensa de meus sacrifícios, se o puder vencer, mas se sucumbir, V. Exa. e o governo olhem para meus filhos” (Ibidem).
Nomeado, seguiu Betâmio a 29 de agosto para Santo Amaro, acompanhado de dois colegas.
Ao despedir-se de sua esposa e filhos, Cipriano, exclamou, emocionado: “Felismina, até a volta, se não for torta !”
No dia seguinte à sua chegada, tomou a jurisdição policial da cidade e, com apenas três escravos, iniciou a exumação de, aproximadamente, trezentos cadáveres, amontoados nas ruas da cidade.
A luta contra a cólera continuou renhida, do amanhecer ao por do sol.  Os recursos eram exaustos; a higiene, precária; a água, quase não existia; os mortos, incontáveis;  comércio, fechado; a cidade, despovoada.
Afinal, depois de uma semana de luta terrível, faleceu em Santo Amaro, às quatro e meia da tarde de 5 de setembro de 1855, Cipriano Barboza Betâmio.
Cumprida a sua colheita, a cólera havia ceifado mais de quarenta mil baianos, dos quais cinco mil, em Santo Amaro!
O Imperador, concedeu, para a viúva e filhos, uma pensão anual de um conto e seiscentos mil reis.
Indaga o Dr. Irabussu Rocha: “Não será Cipriano Betâmio digno de ser considerado o exemplo, o paradigma, o herói, o primeiro dos sanitaristas brasileiros?” ( 2 )

FONTES BIBLIOGRÁFICAS:
1.     Novaes, Menandro – Cipriano Barbosa Betâmio. A Purificação de um Apóstolo, Mártir e Herói. Anais da Academia de Medicina da Bahia, Volume III, junho de 1981.
     2.  Rocha, Irabussu – Disponível em http://www.google.com.br/search?h l=pt- BR&lr=lang_pt&q=cipriano+barboza+betamio&start=0&sa=N.
          Acesso em 24 de janeiro de 2009.
3. Sá Menezes, Jayme – Na Senda da História e das Letras. Salador,     1994




APÊNDICE I
EPIDEMIA DE CÓLERA, EM SALVADOR E NO RECÔNCAVO, NO ANO DE  1855

Nogueira Brito, Antônio Carlos – Dr. Jonathas de Freitas Pedroza: dos bancos da Faculdade de Medicina da Bahia, do Terreiro de Jesus, Bahia, Brasil, à cadeira de Governador do Estado do Amazonas, Brasil (1913-1917). Gazeta Médica da Bahia,Ano 133, Volume 80. Número 2, Salvador, Bahia, Brasil, maio e julho de 2010



 SANTO AMARO DA PURIFICAÇÃO

http://www.google.com.br/images?hl=pt-br&biw=1362&bih=572&gbv=2&tbs=isch%3A1&sa=1&q=SANTO+AMARO+DA+PURIFICA%C3%87%C3%83O+EM+1855&btnG=Pesquisar&aq=f&aqi=&aql=&oq=


“Só resta do sol, naquele sábado, 8 de setembro de 1855, o lampejo do seu séquito de luz na orla esbraseada do horizonte da airosa Baia de Todos os Santos. A claridade da estrela Vésper fulge, argêntea, no alto e pica a incipiente treva da noite, principiando o assédio da visão dos moradores dos coloniais casarios alinhados nas colinas engrinaldadas com
Àquela hora do Angelus, uma tristeza infinita se adensa sobre a cidade da Bahia, invadindo os seus quarteirões urbanos, com ruas estreitas, ladeiras acanhadas e ruelas corcovadas, já embaçadas de escuro.
Na Rua do Passo, da freguesia do Santíssimo Sacramento da Rua do Passo,um passante bate as palmas ao longe, fazendo vibrar os ecos. Quase ninguém passa. A solidão penumbrosa e a molesta tristeza se tornam maior e entram nas almas.
Um quarto de hora após o espetáculo do ocaso, na sobredita rua, um africano livre, acendedor de combustores de azeite de peixe, vestindo coçado gibão de lã, carapuça redonda e camisa de azulão, com passos estugados, porta, na  ponta de uma vara, uma luzinha que bruxulea fantasmagoricamente, avançando e bailando de maneira tétrica e, ao longe, faroliza, baça, a já tenebrosa escuridão da via.
Os lampiões, crepitantes e fumosos, de iluminação pública da Rua do Passo, que a espaço se erguem funerariamente como tochas de enterro, projetam trêmulas e duvidosas manchas de luz sibilante sobre as pedras arredondadas e resvaladiças do calçamento, que dão ao ambiente soturno, avivescência sanguinosa e sinistra.
Os ecos da Rua do Passo são acordados por muitos ais. Batem portas com ruído. As senhoras e senhorinhas não mais  janelam. Adiante, um catarroso tosse convulsivamente. Violentando a mudez da rua. Uma álgida aragem varre as travessas e becos, levantando repulsivo odor mefítico do esterquilíneos que exalam miasmas pestilenciais da salmora  da podridão da colerina.
Era o cólera-morbo, “enfermidade que apresentava mau caráter” e que chegou à Bahia a 21 de julho daquele ano, eclodindo na povoação do Rio Vermelho, alastrando-se, no mesmo dia, para as imediações do convento do Carmo, na freguesia de Santo Antônio Além do Carmo. Dois dias após, vitimou duas mulheres na freguesia de Santana, na Rua do Castanheda, avançando para as freguesias da Vitória, Itapagipe, Itapuã e outras.
A peste colérica amortalhou a capital da província da Bahia e as principais cidades e vilas do Recôncavo, carre4ando consigo a infelicidade, o pânico e a morte.
Uma densa atmosfera silente cercou a capital da Bahia desde o surgimento do mal colérico  em julho de 1855, Até mesmo os dobres dos sinos cessaram, atendendo recomendação feita em 24 de novembro de 1840 pelo presidente do Conselho de Salubridade, Dr. Francisco da Paula Araujo e Almeida, ao Prelado Diocesano, quando discorreu em derredor dos “inconvenientes, que devem resultar do abuso de dobre de sinos, os quais aflitando gravemente as pessoas enfermas, impondo-lhes o terror da morte, a podem traser-lhes em muitos cazos, em que, aliás, seria fácil restabelecer-se”... e solicitou “a rigorosa observância da Constituição do Arcebispado, de sorte que sem faltar-se a costumes religiosos, que fôra imprudente querer de propto destruir elles sejam compatíveis com as leis da hygiene pública”.
O cenário tétrico e grave das ruas da cidade da Bahia e de cidades e vilas do interior, representava, dramaticamente, a expiação e o horror do inferno de Dante. Às portas dos sobrados, fogos e casas térreas, ermas e ascéeticas, de côncavo silêncio, bem que poder-se-ia ler, em letras fúlgidas, le parole spaventose: “Lasciata ogni speranza,voi, ch´entrate!”
No 6º quarteirão da freguesia da Rua do Passo, em algumas janelas dos casarios observava-se mortiço fulgor de lampiões e sombras que se dissipavam nas vidraças...
...Súbito, a bonançosa respiração do vento anunciou o seráfico salmear de ladainhas, garganteadas pelos moradores, os quais, com o auxílio de orações, imploravam a São Francisco Xavier, padroeiro da cidade da Bahia, a suspensão dos golpes da espada do terrível flagelo que se abatia sobre a província da Bahia, atendendo recomendação do arcebispo da Bahia, D. Romualdo Antônio Seixas, para que fossem proclamadas preces públicas em toda a Arquidiocese.”



                               APÊNDICE II
A FACULDADE DE MEDICINA DA BAHIA E A EPIDEMIA DE CÓLERA, EM 1855
(Ronaldo Jacobina & Cols.)


ALEGORIA: EPIDEMIA DE CÓLERA, EM 1855


*
“A epidemia chegou a Bahia em julho de 1855, começando pelo bairro do Rio Vermelho, em Salvador. Espalhou-se pelos outros bairro e atingiu vários municípios, principalmente do Recôncavo, e especial as cidades de Cahoceira e Santos Amaro, diminuindo sua intensidade no ano seguinte, em 1856 .
A FMB, através de sua Congregação, já vinha discutindo medidas, como o  uso da quarentena, a remoção do lixo na cidade, entre outras, a pedido do governo provincial. Quando a epidemia eclodiu, ela suspendeu suas atividades, em 4 de setembro de 1855, assumindo a direção de muitos postos sanitários na capital e enviando professores e estudantes para cidades do interior (Ronaldo Ribeiiro, et al.Gaz.méd.Bahia 2008;78:1 (Jan-Jun):11-23).
As atividades acadêmicas foram retomadas em 14 de novembro do mesmo ano.
As tarefas eram a de socorrer os doentes e as inumações dos cadáveres. Levavam remédios e substâncias para desinfetar as casas onde ocorriam óbitos. Uma dessas comissões partiu em 14 de agosto de 1855 para Cachoeira, composta de três médicos e quatorze alunos, pois os médicos e as autoridades do município tinham abandonado seus postos e funções.
Um dos médicos adoeceu e quatro dias, junto com os outros dois médicos e os alunos se retiraram da cidade.
Uma nova comissão veio com dois professores da Faculdade de Medicina da Bahia, Pedro da Fonseca Mello e Justino José Soares.
Entre os membros da faculdade que faleceram no combate à epidemia de cólera, identificamos os dois professores acima referidos. Pedro Mello e Justino Soares e onze acadêmics : Euclides de Bafrros Seixas, José Rebello de Figueiredo e Francisco José de Medeiros, do 2º ano do curso médico; Alcebíades Firmo Botelho, do 3º ano; Elpídio Canuto da Costa,
de Figueiredo, Américo Silvestre de Faria e José Ribeiro de Carvalho, do 4º ano; Antônio Cardoso, do 5º ano; Joaquim da Costa Chastinet e Antônio Vaz de Carvalho, do 6º ano.
Em Santo Amaro, outro município do recôncavo baiano flagelado pela epidemia, destacou-se a atuação do médico e ex-aluno da Faculdade, Cypriano Barbosa Bettamio, que tomou uma série de medidas para a desinfecção da cidade, em especial a incineração dos cadáveres insepultos.
Cypriano Bettamio, que tem seu desempenho descrito no trabalho de Wanderley Pinho (31), faleceu nesse combate ao cólera.
Seguindo o objetivo deste trabalho de dar os nomes daqueles membros da Faculdade, professores e principalmente estudantes, que foram sujeitos nos acontecimentos históricos, destacamos entre os docentes no combate à epidemia: José Góes Siqueira (1816-1874), que atuou como inspetor de saúde pública, masx em 1855, tornou-se lente de Patologia Geral; Antônio de Cerqueira Pinto (1820-1895), professor substituto em 1855, depois lente de Química Orgânica; e Joaquim Antônio de Oliveira Botelho (1827-1869) , que prestou, como médico enviado pela Comissão de Higiene Pública, serviços em Cachoeira (15). Depois, ele também se tornaria lente de Matéria Médica e Terapêutica (de 1861 a 1869) e teria participação destacada na guerra do Paraguai.
Segundo Oliveira, o Dr. Joaquim Botelho recebeu da população agradecida uma medalha de ouro pela sua dedicação no combate à epidemia. Os três lentes foram alunos da Faculdade de Medicina da Bahia: Siqueira se formou em 1840, Pinto em 1842 e Botelho em 1850.
Nesse episódio, merece destaque a crítica de acadêmicos que estavam na linha de frente. Um grupo de doze alunos de Medicina, que trabalhavam em Cachoeira, censurou o governo provincial pela demora na ajuda e pela falta de autoridade no município. Consideraram “falta de energia” nos homens “que mais alto estão collocados”. Eles criticavam sob a forma de indagação o porquê do governo não se apressar em levar o socorro a todas as cidades e vilas, em especial no litoral, que poderiam ser também atacadas pela epidemia.
Este registro é importante, pois eram críticas daqueles que estavam no cenário da trágica epidemia que ceifou muitas vidas, inclusive de dois mestres e de vários estudantes que atuavam no combate da epidemia.
Mas também porque a fonte é um documento primoroso de um estudante da Faculdade, o paraibano Antônio da Cruz Cordeiro, que escreveu provavelmente o primeiro trabalho sobre aquela epidemia de cólera na Bahia, com o título “Impressões da Epidemia”, publicado logo depois desse trágico acontecimento, em 1856.
David destaca um pensamento elitista do acadêmico, citando sua confissão no livro, quando, aliviado com o recuo da epidemia em novembro de 1855, dise Cordeiro: “e nós ficamos livres do fardo, que nos humilhava peranteessa gente ignorante!”.
Porém, através desta obra, constatamos a relevância deste testemunho, pois foi a de quem se engajou na luta, correu riscos e registrou, como estudante, suas impressões de uma epidemia que adoeceu e matou muitas pessoas.
O historiador Antônio Loureiro de Souza, em seu livro”Baianos Ilustres”, destacou o nome do médico Alexandre José de Barros Bittencourt (831-1911) no combate a epidemia de cólera. Ele atuou no combate a epidemia como acadêmico, tendo defendido sua tese inaugural- Do contágio da infecção e sua diferença -  em 1856”












APÊNDICE III
ALUNOS NA EPIDEMIA DE CÓLERA, EM 1855
(Extraido de Souza e Azevedo, Eliane Elisa de – Memória Histórica (1996-2007). Feira de Santana, 2008).


EPIDEMIA DE CÓLERA NA BAHIA, EM 1855

“Ainda que a Memória Histórica de 1855 da autoria do Prof. Manoel Ladislau de Aranha Dantas faça referência à epidemia de cólera e cite os nomes dos estudantes e médicos falecidos em conseqüência dessa doença, não existem relatos precisos sobre essa epidemia na fonte mencionada.
Em competente trabalho de investigação histórica, o Dr. Antonio Carlos Nogueira Britto, sob o título “Cholera Morbus Pestilencial” publicou em livro de sua autoria (A Medicina Baiana nas Brumas do Passado. Século XIX e XX. Aspectos Inéditos. Contexto e Arte Ditorial, Salvador, Bahia, p.217-225) as instruções que os Membros do Colégio Médico-Cirúrgico haviam divulgado como recomendações preventivas para evitar-se que a cólera chegasse à cidade do Salvador. As recomendações datam de 1833. Vinte e dois anos depois a cólera atinge a população dessa cidade. Considerando que, conforme relata o Autor, a cólera teve início em Banfladesh em 1817, atingiu Moscou em 1830, a Europa em 1833, o fato de ter atingido Salvador em 1855, tanto poderia ter sido na seqüência normal de sua propagação, como poderia ter sido retardada pelo eficácia das medidas de proteção á cidade. A realidade, todavia, é que ao chegar aqui, chegou com a mesma força devastadora de outras regiões. Fazendo cerca de oito mil vítimas na cidade do Salvador, a epidemia de cólera concentrou-se mais na região dos engenhos de açúcar em especial Cachoeira e Santo Amaro.
Faleceram de cólera os médicos Dr. Cypriano Barbosa Bettamio e Dr. Pedro da Fonseca Melo. Entre os estudantes a devastação foi maior. A Memória de 1855, relata os seguintes nomes de vítimas fatais: Antonio Vaz de Carvalho, 6º ano; Joaquim da Costa Chastinet, 6º ano; Antonio Cardoso, 5º ano; Elpídio Canuto da Costa, 4º ano; Américo Silvestre de Faria, 4º ano; José Ribeiro de Carvalho, 4º ano; Alcebíades Firmo Botelho, 3º ano; Joaquim Magalhães Menezes, 3º ano; Euclides de Barros Seixas, 2º ano; José Rebello de Figueredo, 2º ano; e Francisco José de Medeiros, 2º ano.
Dois Professores da Faculdade de Medicina da Bahia destacaram-se na luta durante a epidemia de cólera fazendo jus a premiaçãoes específicas:
·        Prof. Joaquim Antônio de Oliveira Botelho, condecorado com a medalha de ouro oferecida pela população da cidade de Cachoeira pelos serviços prestados durante a epidemia.
·        Prof. José de Góes Silveira, outorgado Comendador da Ordem da Rosa por serviços prestados durante a epidemia em 1855.





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